Eleição presidencial 2026 · 2º turno em 25 de outubro

Governos Bolsonaro e Lula 3 em dados oficiais

Comparação área por área da administração federal de 2019 a 2026: economia, contas públicas, serviço público, saúde, educação, segurança, área social, meio ambiente e integridade.

Períodos
Bolsonaro: jan/2019 a dez/2022, com dez/2018 como ponto de partida. Lula 3: jan/2023 a out/2026, com dez/2022 como ponto de partida e 2026 parcial.
Fontes
IBGE, Banco Central, Tesouro Nacional, TCU, INPE, Inep, ministérios, Planalto e TSE. Fontes não governamentais e imprensa aparecem identificadas como tal.
Cores dos gráficos
Bolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026ano-baseEscolhidas para não remeter a partidos.
Data de corte
07/10/2026
Recomendação de voto
Nenhuma. O material organiza as evidências; a decisão é do eleitor.

Quem está na urna

O candidato no 2º turno de 25/10/2026 é o senador Flávio Bolsonaro, e não Jair Bolsonaro, que está inelegível e cumpre pena. Por isso, o registro de 2019–2022 serve de referência para o grupo político e não é o histórico executivo de Flávio, que nunca governou.

Os dados oficiais não apontam um governo superior em todas as áreas. O terceiro governo Lula (2023–2025, com 2026 parcial) tem crescimento médio maior (2,97% ao ano contra 1,40%), desemprego no menor nível da série (5,1% no fim de 2025), renda real do trabalho 12,8% maior, pobreza na mínima histórica (23,1% em 2024) e desmatamento na Amazônia reduzido à metade. O governo Bolsonaro (2019–2022) entregou a dívida bruta menor do que a recebeu (de 75,3% para 71,7% do PIB), fechou 2022 com o primeiro superávit primário desde 2013 e aprovou com o Congresso reformas como a da Previdência e a autonomia do Banco Central. Sob Lula, a dívida bruta subiu para 78,6% do PIB em 2025 e 82,9% em agosto de 2026.

Grande parte das diferenças tem causas que nenhum presidente controla sozinho: a pandemia derrubou o PIB em 3,3% em 2020 e matou cerca de 619 mil pessoas em 2020–2021; houve guerra na Ucrânia e ciclo de commodities; os juros de 15% de 2025–2026 foram decididos por um Banco Central autônomo; e polícia, escolas e hospitais são majoritariamente estaduais e municipais.

Para o servidor público o contraste é nítido. Entre 2019 e 2022 não houve reajuste linear no Executivo federal, e a LC 173/2020 congelou até o fim de 2021 salários, concursos e a contagem de tempo para adicionais em todos os entes, com perda real estimada em 21% (cálculo próprio). Sob Lula vieram 9% em 2023, 9% em 2025 e 5% em 2026, com ganho real de cerca de 3,9% até dezembro de 2025, insuficiente para repor a perda acumulada desde 2018.

Em integridade, os dois períodos têm escândalos ainda sem desfecho judicial, como os descontos indevidos no INSS, que atravessam os dois governos. A única condenação definitiva de Jair Bolsonaro é por tentativa de golpe, e não por corrupção.

Nenhum dos dois planos registrados no TSE traz números de concursos ou de reajustes, de modo que a escolha depende das áreas que cada eleitor considera prioritárias.

Sumário executivo

Lula 3 teve resultado melhor em 13 de 19 indicadores; Bolsonaro, em 3

Pelos números, o governo Lula 3 foi melhor na maior parte dos indicadores comparados: 13 de 19. A vantagem dele aparece em crescimento, inflação, emprego, renda, salário mínimo, resultado primário, salário e quadros do servidor federal, expectativa de vida, vacinação, Ideb, pobreza e desmatamento na Amazônia. O governo Bolsonaro foi melhor em 3: dívida bruta, custo dos juros da dívida e nota de percepção da corrupção, esta por margem pequena. Há empate em 2 (mortes violentas e parecer do TCU). Em 1 indicador, a política de armas, os números mostram direções opostas, e julgar qual é melhor depende da visão de cada eleitor.

ÁreaIndicador-chaveMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2025; 2026 parcial)Observação
EconomiaPIB real, média anualLula 31,40% (acumulado +5,7%)2,97% (acumulado +9,2%); 2026 projetado em 1,85%Em 2020 o PIB caiu 3,3% (pandemia); sem 2020, a média de Bolsonaro seria de ≈3,0% (cálculo próprio)
InflaçãoIPCA, média anualLula 36,15%; meta descumprida em 2021 e 20224,57%; meta descumprida em 2024 e no 1º sem./2025Choques globais em 2021–2022; o BCB projeta novo estouro em 2026
EmpregoDesocupação média (PNAD)Lula 312,1%6,9%A queda começou em 2021; mínimos de 7,9% (4T2022) e 5,1% (4T2025)
RendaRenda real habitual do trabalhoLula 3−1,0%+12,8% (até o 4T2025)Efeito composição em 2020 e inflação alta em 2021
Salário mínimoGanho real acumuladoLula 3−1,2% a +1,2%+10,9% a +11,5%A faixa depende da janela de deflação (cálculo próprio x DIEESE)
Contas públicasResultado primário acumulado do Governo CentralLula 3−2,43% do PIB−0,85% do PIBSem Covid: −0,82%. Sem precatórios e deduções: −0,46% (cálculos próprios). Só Bolsonaro teve ano com superávit (2022)
DívidaDívida bruta (DBGG), % do PIBBolsonaro75,3% → 71,7%71,7% → 78,6% (2025); 82,9% (ago/2026)A inflação alta ajudou a queda até 2022; os juros puxam a alta desde 2023
Juros da dívidaJuros nominais, média anualBolsonaro4,97% do PIB7,51% do PIBSelic decidida por BC autônomo (LC 179/2021)
Servidor federalReajuste linear e efeito realLula 3Nenhum reajuste linear; perda real de ≈21%9% (2023) + 9% (2025) + 5% (abr/2026); ≈+3,9% real até dez/2025Cálculo próprio pela tabela geral; carreiras com acordo próprio diferem
ConcursosNomeações estatutárias e saldo de pessoalLula 316.313 (≈4,1 mil/ano); saldo de −44.502 servidores8.571 em 2023–2024 (≈4,3 mil/ano), mais CNU 1 e 2; saldo de +2.835Médias anuais parecidas até 2024; a vantagem vem dos CNUs e do saldo de pessoal. A LC 173 vedou concursos, salvo reposição, até 31/12/2021
SaúdeExpectativa de vidaLula 376,2 (2019) → 72,8 (2021) → 75,4 (2022)76,4 (2023) → 76,6 (2024), recordeA covid explica a queda e a recuperação
VacinaçãoTríplice viral (1ª dose)Lula 393,1% (2019) → 74,9% (2021) → 79,6% (2022)86,8% (2023) → 95,6% (2024)A queda começou em 2016; houve mudança de sistema em 2023
EducaçãoIdeb, anos iniciais (nacional)Lula 35,9 (2019); 5,8 (2021)6,0 (2023); 6,3 (2025)As redes são estaduais e municipais; a pandemia afetou 2021–2023
SegurançaMortes violentas intencionais (FBSP, ONG)Empate−16,7% (2018→2022)−15,0% (2022→2025)Quedas parecidas por ano; a queda começou em 2018 e a polícia é estadual
ArmasCACs e novos registrosDepende da visão783 mil CACs em 2022 (7 vezes o número de 2018)Novos registros −80% (2023–2025 x 2020–2022)Bolsonaro ampliou o acesso a armas e Lula o restringiu; o estoque de armas segue elevado
SocialPobreza (US$ 6,85 PPC/dia)Lula 333,4% (2018) → 31,6% (2022)23,1% (2024), menor desde 2012Pico de 36,8% em 2021, após o fim do Auxílio Emergencial
Meio ambienteDesmatamento na Amazônia (PRODES)Lula 37.536 → 11.594 km² (+54%)11.594 → 5.731 km² (−51%)No Cerrado, a média anual de Lula é 5% maior
IntegridadeIPC (Transparência Internacional, ONG; percepção)BolsonaroMédia de 37,3 (cálculo próprio)Média de 35,0 (cálculo próprio); 34 em 2024, pior nota da sérieMargem pequena: a TI não considera significativas variações de ±1 ponto
Controle externoParecer do TCU sobre as contasEmpateAprovadas com ressalvas (2019–2022)Aprovadas com ressalvas (2023–2025)As ressalvas de 2025 apontam "desorçamentação"

A contagem dá o mesmo peso a todos os indicadores, mas eles não pesam o mesmo para todos os eleitores. Quem prioriza equilíbrio fiscal tende a dar mais peso à dívida e aos juros, justamente onde o período Bolsonaro foi melhor. Três ressalvas acompanham o placar. A pandemia derrubou os números de 2020–2021, e parte da melhora de 2023–2024 é recuperação a partir dessa base baixa e de tendências que já vinham de antes. Muitos indicadores dependem também de estados, municípios, Congresso e Banco Central. E o período Bolsonaro deixou reformas que seguem em vigor, como a da Previdência e a autonomia do Banco Central. Fora da tabela, a taxa de investimento ficou praticamente igual (16,9% x 16,7% do PIB) e os dois governos contornaram a própria regra fiscal. As fontes e os cálculos de cada linha estão nas seções temáticas.

Placar por área

Além dos 19 indicadores-chave acima, cada seção temática traz o próprio placar, com todos os indicadores da sua tabela. O quadro resume essas contagens.

ÁreaLula 3 melhorBolsonaro melhorempatesem comparação direta
Economia e renda11142
Contas e dívida5322
Serviço público6014
Saúde8322
Educação8013
Segurança3153
Área social5004
Ambiente e exterior4111
Integridade0332
Total50121923

Como ler este relatório

Fontes, períodos e limites

Períodos e linhas de base. O governo Bolsonaro é medido de 2019 a 2022, com dezembro de 2018 como ponto de partida. O terceiro governo Lula é medido de 2023 a 2025 em anos completos, com dados parciais de 2026 (em geral até agosto ou setembro) e dezembro de 2022 como ponto de partida. As notas de pesquisa foram fechadas em 07/10/2026. O 2º turno opõe Lula (PT) ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Jair Bolsonaro está inelegível por decisão do TSE até 2030 e foi condenado pelo STF em decisão definitiva. O desempenho de 2019–2022 indica a orientação do grupo político, mas não é a experiência executiva de Flávio, que foi deputado estadual e senador.

Hierarquia de fontes. Prevalecem as fontes oficiais: IBGE (SIDRA), Banco Central (SGS, Focus e Relatórios de Política Monetária), Tesouro Nacional (Resultado do Tesouro Nacional, RTN), TCU, INPE, Planalto (textos das leis), ministérios, Inep e TSE. Fontes não governamentais vêm identificadas como tal no texto. É o caso do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, ONG que compila dados das polícias estaduais), da Transparência Internacional (índice de percepção), do Our World in Data, da FGV IBRE, do DIEESE, da Confederação Nacional de Municípios, do Todos Pela Educação, da imprensa e da Wikipédia. O Atlas da Violência é uma parceria do Ipea (órgão federal) com o FBSP e usa dados do SIM/DATASUS. A imprensa serviu de pista e, quando um número depende só dela, o texto avisa. As contas feitas pelos pesquisadores a partir de dados oficiais aparecem como "cálculo próprio".

Cuidados de atribuição. Cinco fatores impedem creditar cada número inteiramente a um presidente. O primeiro é a pandemia de 2020–2021. O segundo são os choques externos: a guerra na Ucrânia, os preços de commodities, o El Niño de 2023–2024 e as tarifas dos EUA em 2025. O terceiro é o Congresso, autor da LC 173/2020, do Fundeb permanente, das emendas impositivas e da derrubada de vetos. O quarto é a Federação: estados comandam as polícias e a maioria das escolas, e estados e municípios operam a maior parte do SUS. O quinto são as defasagens e tendências herdadas. A queda dos homicídios começou em 2018, a das coberturas vacinais em 2016 e a do desemprego em 2021. O "ano PRODES" vai de agosto a julho, e reformas aprovadas num governo produzem efeito no seguinte.

Limites dos dados. Várias séries foram revistas depois da divulgação original, como a dívida bruta, o PIB e as mortes violentas do FBSP recalculadas com o Censo 2022. Há quebras de metodologia no Novo Caged (2020), na carga tributária (2024), nas taxas anuais da PNAD (2020–2022) e no sistema de vacinação (2023). Durante a coleta, alguns portais oficiais ficaram inacessíveis e o limite de buscas se esgotou, o que deixou lacunas, listadas em seção própria. Nenhum número foi estimado para preencher essas lacunas.

Economia, emprego e renda

Crescimento maior com Lula, mas 2020 explica quase toda a diferença

Indicadores comparados

Cada linha da tabela abaixo indica o período com melhor resultado naquele indicador. "Sem comparação direta" marca dados que não podem ser comparados (falta de série, métricas diferentes) ou cuja avaliação depende da visão de cada eleitor. As linhas têm o mesmo peso, e o contexto está no texto.

IndicadorMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2025; 2026 parcial)Fonte
PIB real por anoLula 31,3 / −3,3 / 4,8 / 3,0%3,2 / 3,4 / 2,3%; 2026: 1,9% no 1º semestre; Focus projeta 1,85%IBGE
PIB, média geométrica (acumulado)Lula 31,40% a.a. (+5,7%)2,97% a.a. (+9,2%); ≈2,69% a.a. com 2026 projetadoCálculo próprio
PIB per capita, média anualLula 30,85% a.a. (+3,5% no período)2,57% a.a. (+2,8 / +3,0 / +1,9%; +7,9% no período)IBGE; cálculo próprio
IPCA, média anual (acumulado)Lula 36,15% (+26,9%)4,57% (+14,3%)IBGE; cálculo próprio
Anos com meta de inflação descumpridaEmpate2021 (10,06%) e 2022 (5,79%)2024 (4,83%) e 1º sem./2025 (regra contínua)BCB/IBGE
Desocupação média anual (PNAD)Lula 312,1%6,9% (taxas anuais oficiais: 7,8 / 6,6 / 5,6%)IBGE; cálculo próprio
Menor desocupação trimestralLula 37,9% (4T2022)5,1% (4T2025), mínima da série desde 2012IBGE
Informalidade (4º trimestre)Empate40,8% (2018) → 38,9% (2022)39,2% (2023) → 37,6% (2025); 37,4% no 2T2026IBGE
Ocupados criadosEmpate+5,37 milhões (4T2018→4T2022)+5,48 milhões (4T2022→4T2025)IBGE; cálculo próprio
Empregos formais (saldo do estoque Caged)Bolsonaro≈ +5,20 milhões≈ +4,41 milhões; desaceleração em 2026BCB SGS 28763; cálculo próprio
Renda real habitual do trabalhoLula 3−1,0%+12,8%IBGE; cálculo próprio
Salário mínimo nominalSem comparação diretaR$ 954 → R$ 1.212R$ 1.212 → R$ 1.518 (2025) → R$ 1.621 (2026)BCB
Ganho real do salário mínimoLula 3−1,2% (cálculo próprio) a +1,2% (DIEESE)+10,9% (até 2025) a +11,5% (até jan/2026, DIEESE)IBGE/BCB; DIEESE (ONG sindical)
Selic no fim do períodoSem comparação direta13,75% (subiu de 2,00%)15,00% em 2025; 13,75% desde 17/09/2026BCB
Câmbio (R$/US$, dezembro)Lula 33,87 → 5,22 (+34,7%)5,22 → 5,50 em 2025 (+5,5%); 5,18 em set/2026BCB
Taxa de investimento (FBCF/PIB), médiaEmpate16,9%16,7%IBGE; cálculo próprio
Saldo comercial de bens, média anualLula 3US$ 39,8 biUS$ 72,6 bi (recorde de US$ 92,3 bi em 2023)BCB; cálculo próprio
Rating soberanoLula 3Sem elevação (BB−/Ba2/BB−)Elevações para BB (S&P e Fitch, 2023) e Ba1 (Moody's, 2024)Agregadores e Wikipédia (não oficiais)
Séries anuaisano-baseBolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026parcial ou projeção (*)

PIB real

Variação anual, %

* 2026: projeção do Focus (1,85%), não é dado observado. IBGE, SIDRA 6784 e 5932; 2026: mediana do Focus (BCB, 02/10/2026).
Ver valores
Ano%
20181,7
20191,3
2020−3,3
20214,8
20223,0
20233,2
20243,4
20252,3
20261,9 *

Inflação (IPCA)

Acumulada no ano, %

* 2026: acumulado em 12 meses até ago/2026. IBGE, SIDRA 1737. Centro da meta: 4,25% em 2019, caindo a 3% em 2024–2026.
Ver valores
Ano%
20183,75
20194,31
20204,52
202110,06
20225,79
20234,62
20244,83
20254,26
20264,22 *

Desocupação

Média dos 4 trimestres, % da força de trabalho

IBGE, SIDRA 4099; média anual por cálculo próprio. Jun–ago/2026: 5,3%.
Ver valores
Ano%
201812,4
201912,0
202013,8
202113,2
20229,3
20238,0
20246,9
20255,9

Renda real do trabalho

Média habitual no trimestre out–dez, R$ de 2026

* 2026: trimestre mai–jul/2026, parcial. IBGE, SIDRA 6390 (valores deflacionados pelo IBGE).
Ver valores
AnoR$
20183351
20193361
20203442
20213068
20223317
20233418
20243563
20253742
20263760 *

O que os números dizem e o que não dizem

Pelo IBGE, a economia cresceu 5,7% no acumulado de 2019–2022 e 9,2% em 2023–2025. A série anual é de 1,3%, −3,3%, 4,8%, 3,0%, 3,2%, 3,4% e 2,3% (IBGE SIDRA 6784; IBGE SIDRA 5932). Quase toda a diferença vem de 2020. Sem o ano da pandemia, a média de 2019, 2021 e 2022 fica em cerca de 3,0% ao ano (cálculo próprio), praticamente igual à do Lula 3. Parte do crescimento de 2021, porém, é rebote estatístico da queda anterior. A trajetória do Lula 3 é de desaceleração: o PIB cresceu 1,9% no 1º semestre de 2026 (Agência Gov/EBC), o Focus projeta 1,85% para o ano (BCB, Focus de 02/10/2026) e o próprio BCB revisou sua projeção para 1,8% (BCB, RPM set/2026). A Secretaria de Política Econômica da Fazenda atribuiu a desaceleração do consumo a "restrições de crédito" e à política monetária restritiva (SPE/Fazenda, via Poder360). Em 2025 a agropecuária cresceu 11,7%, e no 2T2026 a indústria extrativa subiu 12,0% sobre um ano antes (Agência IBGE). Clima e preços de commodities pesam muito nesses números e estão fora do controle do governo.

A inflação média caiu de 6,15% para 4,57% ao ano, mas os dois governos descumpriram a meta (IBGE SIDRA 1737). O pico de 10,06% em 2021 coincidiu com choques globais: reabertura pós-Covid, gargalos de oferta, câmbio desvalorizado e, em 2022, a guerra na Ucrânia. O IPCA de 2022 foi rebaixado por cortes de tributos sobre combustíveis em ano eleitoral (LC 194/2022). No Lula 3, a inflação ficou acima do centro da meta (3%) em todos os anos. Pela regra contínua do Decreto 12.079/2024, a meta foi descumprida formalmente em junho de 2025 (Planalto). O BCB projeta 5,2% no fim de 2026 e descreve as expectativas como "desancoradas" (BCB, RPM set/2026). A tolerância foi de ±1,5 ponto em todos os anos, e o teto foi superado em 2021 (5,25%), 2022 (5,00%) e 2024 (4,50%), anos em que o BCB enviou carta aberta ao ministro da Fazenda (BCB, carta aberta de 2022; BCB, carta aberta de 2024).

No mercado de trabalho, a desocupação caiu de 14,9% (1T2021) para 7,9% (4T2022), ainda sob Bolsonaro, e chegou a 5,1% no 4T2025, a menor da série (IBGE SIDRA 4099). O Lula 3 recebeu uma tendência de queda e a levou a mínimos históricos. Os dois períodos criaram quase o mesmo número de ocupações (+5,4 e +5,5 milhões). A média de desocupação, de 12% contra 7%, reflete sobretudo o ponto de partida: Bolsonaro herdou 11,7% da recessão de 2015–2016 e enfrentou a pandemia. O emprego formal desacelera em 2026: foram +1,13 milhão de vagas em janeiro–agosto, contra +1,52 milhão no mesmo período de 2025 (BCB SGS 28763). Esses saldos foram derivados do estoque e podem diferir dos saldos "com ajustes" divulgados pelo MTE. O de 2020 mistura duas metodologias (Caged antigo e Novo Caged).

A renda real habitual do trabalho caiu 1,0% no período Bolsonaro e subiu 12,8% no Lula 3 (IBGE SIDRA 6390). A estabilidade de 2019–2022 esconde movimentos opostos. Em 2020 a média subiu porque os trabalhadores de menor renda perderam a ocupação primeiro (efeito composição). Em 2021 ela caiu 10,9% com a inflação de dois dígitos. No salário mínimo, a lei de valorização (INPC + PIB de dois anos antes) valeu até 2019 e não foi renovada pelo governo Bolsonaro (Planalto, Lei 13.152/2015). Mesmo que a regra continuasse, o PIB fraco de 2018 e o negativo de 2020 dariam ganhos pequenos ou nulos. O governo Lula restabeleceu a regra com a Lei 14.663/2023. No pacote fiscal de dezembro de 2024, ele próprio limitou o ganho real a 2,5% ao ano de 2025 a 2030 (Planalto, Lei 15.077/2024). As contas conferem com os valores oficiais: R$ 1.412 em 2024, R$ 1.518 em 2025 e R$ 1.621 em 2026 (cálculo próprio).

Nos juros, a Selic chegou à mínima histórica de 2% durante a pandemia e subiu a 13,75% em 2022, sob o presidente do BCB indicado por Bolsonaro. O pico de 15% (junho de 2025 a março de 2026) ocorreu sob Gabriel Galípolo, indicado por Lula (BCB SGS 432). A autonomia criada pela LC 179/2021 funcionou nos dois sentidos (Planalto). As datas de mandato vêm de fonte secundária (Wikipédia), mas são coerentes com a lei. As elevações de rating de 2023–2024 vêm de agregadores e da Wikipédia, não oficiais, e há perspectivas conflitantes entre essas fontes (Trading Economics). O grau de investimento perdido em 2015 não foi recuperado em nenhum dos dois governos.

A carga tributária oscilou entre 31,6% e 33,9% do PIB no período Bolsonaro, pela metodologia antiga do Tesouro, e ficou em 32,32% em 2024 e 32,40% em 2025 pela nova (Tesouro Transparente, CTB 2025). A nova metodologia exclui FGTS e Sistema S e reduz o nível em cerca de 1,8 ponto, por isso as séries não são diretamente comparáveis (Receita Federal, CTB 2024). Uma estimativa aproximada põe a carga de 2025 cerca de 1 ponto acima da de 2022, com incerteza relevante (cálculo próprio).

No plano institucional, o período Bolsonaro aprovou com o Congresso a reforma da Previdência (EC 103/2019), a Lei de Liberdade Econômica, o Marco do Saneamento, a autonomia do BCB e a desestatização da Eletrobras, todas ainda em vigor. O Lula 3 aprovou o arcabouço fiscal (LC 200/2023), a reforma tributária do consumo (EC 132/2023 e LC 214/2025, em transição até 2033) e a isenção do IR até R$ 5 mil, compensada por imposto mínimo sobre altas rendas (Lei 15.270/2025) (Planalto, EC 132/2023; Planalto, Lei 15.270/2025). Os efeitos das duas agendas aparecem com defasagem.

Os choques externos foram desiguais. A pandemia foi muito mais severa para a atividade do que qualquer choque do Lula 3. As tarifas dos EUA de 2025 chegaram a 50% e tiveram motivação explicitamente política: a ordem executiva cita o processo contra Jair Bolsonaro (Federal Register, EO 14323). Foram encerradas em fevereiro de 2026 (Federal Register, EO 14389). Uma nova tarifa de 25% pela Seção 301 veio em julho de 2026 (Federal Register). Mesmo assim, as exportações totais cresceram 3,1% em 2025 e 10% em janeiro–agosto de 2026 (cálculo próprio com o BCB SGS 22708). As vendas aos EUA caíram: de US$ 40,4 bi em 2024 (recorde) para US$ 37,7 bi em 2025 (−6,7%) e US$ 24,1 bi em janeiro–agosto de 2026, 9,7% menos que um ano antes, segundo o MDIC (Agência Brasil, set/2026; MDIC, jul/2026). Os sete primeiros meses de 2025 ainda eram, em grande parte, anteriores à tarifa.

Pontos a favor e contra

Bolsonaro (2019–2022)

A favor

  • Retomada rápida do emprego em 2021–2022 (de 14,9% para 7,9%), com saldo formal de cerca de 5,2 milhões de vagas no período.
  • Reformas estruturais aprovadas e não revogadas (Previdência, Liberdade Econômica, saneamento, BC autônomo).
  • Taxa de investimento média um pouco maior (16,9%).
  • Enfrentou o maior choque da série recente.

Contra

  • Menor crescimento médio (1,4%), renda real em queda (−1,0%), inflação de dois dígitos em 2021 e meta descumprida em dois anos.
  • Salário mínimo sem ganho real.
  • Câmbio desvalorizado em 34,7%.
  • Medidas de corte de tributos e de benefícios em ano eleitoral (LC 194 e EC 123/2022).

Lula 3 (2023–2026)

A favor

  • Crescimento médio de cerca de 3% em 2023–2025, desemprego e informalidade nas mínimas da série, renda real +12,8%, salário mínimo com ganho real de cerca de 11%.
  • Inflação média menor.
  • Elevações de rating.
  • Reforma tributária do consumo e isenção do IR até R$ 5 mil aprovadas.

Contra

  • Desaceleração para cerca de 1,8–1,9% em 2026.
  • Inflação acima do centro da meta em todos os anos, com descumprimento em 2024 e 2025 e novo estouro projetado para 2026.
  • Juro real ex post de cerca de 10,7 pontos em 2025, contra cerca de 8,0 em 2022 (cálculo próprio).
  • Carga tributária maior que a de 2022.
  • O próprio governo limitou o ganho do mínimo a 2,5%.

Contas públicas, orçamento e dívida

Bolsonaro reduziu a dívida com ajuda da inflação; com Lula, os juros a elevaram em 11 pontos

Indicadores comparados

Cada linha da tabela abaixo indica o período com melhor resultado naquele indicador. "Sem comparação direta" marca dados que não podem ser comparados (falta de série, métricas diferentes) ou cuja avaliação depende da visão de cada eleitor. As linhas têm o mesmo peso, e o contexto está no texto.

IndicadorMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2025; 2026 parcial)Fonte
Resultado primário do Governo Central (% do PIB)Lula 3−1,29 / −9,77 / −0,39 / +0,46%−2,09 / −0,36 / −0,48%; 2026 projetado em −R$ 80,9 bi efetivosTesouro (RTN); cálculo próprio
Primário acumulado no mandatoLula 3−2,43% do PIB−0,85% do PIBTesouro (oficial)
Primário sem itens excepcionaisLula 3−0,82% do PIB (sem gastos da Covid)−0,46% do PIB (sem precatórios de 2023, enchentes do RS e deduções de 2025)Cálculo próprio
Setor público consolidado, NFSP primária médiaLula 32,03% do PIB de déficit (superávit de 0,38% sem 2020)1,04% do PIB de déficitBCB; cálculo próprio
Dívida bruta (DBGG), % do PIBBolsonaro75,27 → 71,68 (−3,6 p.p.); pico de 86,94 em 202071,68 → 78,64 em 2025 (+7,0 p.p.); 82,86 em ago/2026 (+11,2 p.p.)BCB SGS 13762
Dívida líquida (DLSP), % do PIBBolsonaro52,77 → 56,13 (+3,4 p.p.)56,13 → 65,24 em 2025 (+9,1 p.p.); 69,26 em ago/2026BCB SGS 4513
Juros nominais, média anualBolsonaro4,97% do PIB (R$ 1.714,5 bi no período)7,51% do PIB (R$ 2.676,3 bi em três anos)BCB; cálculo próprio
Despesa total do Governo Central, médiaSem comparação direta20,22% do PIB (≈18,4% sem 2020)18,99% do PIBTesouro; cálculo próprio
Receita líquida, médiaSem comparação direta17,50% do PIB18,01% do PIBTesouro; cálculo próprio
Investimento federal (linha do RTN)Lula 31,38% (2020), 0,63% (2021), 0,45% (2022)0,74% (2023), 0,73% (2024), 0,65% (2025)Tesouro; cálculo próprio
Regra fiscalEmpateTeto de gastos alterado ou contornado por 6 emendas constitucionaisArcabouço com metas reduzidas e deduções crescentes (R$ 32 bi, R$ 48,7 bi e R$ 67,3 bi projetados)Planalto; Tesouro
Parecer do TCUEmpateAprovação com ressalvas nos 4 anosAprovação com ressalvas nos 3 anos (unânime em 2024 e 2025)TCU
Séries anuaisano-baseBolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026parcial ou projeção (*)

Resultado primário do Governo Central

% do PIB; positivo = superávit

Tesouro Nacional (RTN) e PIB do BCB; cálculo próprio. 2020: gastos da covid.
Ver valores
Ano% do PIB
2018−1,72
2019−1,29
2020−9,77
2021−0,39
20220,46
2023−2,09
2024−0,36
2025−0,48

Juros nominais da dívida

% do PIB no ano, setor público consolidado

* 2026: acumulado em 12 meses até ago/2026. Banco Central, SGS 5727 e 5793; cálculo próprio.
Ver valores
Ano% do PIB
20185,4
20195,0
20204,1
20215,0
20225,8
20236,6
20248,1
20257,9
20268,9 *

Dívida bruta (DBGG)

% do PIB, posição de dezembro

* 2026: posição de agosto/2026. Banco Central, SGS 13762 (série revisada).
Ver valores
Ano% do PIB
201875,3
201974,4
202086,9
202177,3
202271,7
202373,8
202476,3
202578,6
202682,9 *

Fluxo, estoque e o papel dos juros

Pelo resultado bruto, o mandato Bolsonaro acumulou déficit primário de 2,43% do PIB, contra 0,85% do Lula 3 (Tesouro, apresentação do RTN de dez/2025). A diferença se deve a 2020, quando o déficit recorde de 9,8% do PIB financiou cerca de R$ 429,6 bi em gastos emergenciais da Covid (RTN dez/2021). Sem esses gastos, o período Bolsonaro fica em −0,82% do PIB. Sem os itens extraordinários e deduzidos do Lula 3, o período fica em −0,46% (cálculos próprios). A distância cai para cerca de 0,3–0,4 ponto do PIB por ano. As exclusões não são equivalentes: uma pandemia difere de quitar passivos já existentes ou de criar exceções legais à meta.

O superávit de 2022, o primeiro desde 2013, teve ajuda de receitas extraordinárias. Os dividendos pagos à União dobraram, de R$ 43,5 bi para R$ 87,0 bi, com Petrobras +R$ 34,1 bi (RTN dez/2022). Também pesou o adiamento de precatórios pelas EC 113 e 114/2021, que limitaram o pagamento anual ao valor de 2016 corrigido (Planalto, EC 114/2021). A conta veio em 2023: cerca de R$ 92,4 bi pagos em dezembro depois que o STF julgou as ADIs 7.064 e 7.047 (valor de imprensa; o RTN registra a despesa em outros termos) (RTN dez/2024). Somou-se a ampliação do Bolsa Família, de R$ 88,1 bi para R$ 166,3 bi (RTN dez/2023), viabilizada pela PEC da Transição (EC 126/2022), que ampliou em R$ 145 bi o teto de 2023 (Planalto). O resultado de 2023, déficit de 2,1% do PIB, foi o segundo pior da série iniciada em 1997.

A dívida bruta caiu 3,6 pontos sob Bolsonaro e subiu 7,0 pontos até 2025 sob Lula, chegando a 82,9% do PIB em agosto de 2026, o maior nível desde março de 2021 (BCB SGS 13762; BCB, nota de set/2026). Dois mecanismos explicam a inversão. Em 2021–2022, o PIB nominal cresceu 18,4% e 11,8%, inflado pela inflação, enquanto o custo médio da dívida demorava a subir, porque a Selic ficou em 2% até março de 2021. Isso reduziu a razão dívida/PIB pelo denominador. Essa leitura é inferência a partir das séries: não foi localizada uma decomposição oficial ano a ano. Em 2023–2026, a conta de juros saltou para 6,6% a 8,9% do PIB por ano, contra 4,1% a 5,8% antes. Pela série do BCB, o déficit primário pesa menos (0,4% a 2,3%) (BCB SGS 5727). Segundo a IFI do Senado, órgão independente ligado ao Legislativo, juros e emissões líquidas responderam por 10,5 pontos do PIB de aumento da dívida bruta nos 12 meses até julho de 2026 (IFI, RAF 116). Os juros dependem da Selic, fixada pelo BCB autônomo, e do prêmio de risco, que reage à política fiscal. Dividir a responsabilidade entre as duas políticas é questão de interpretação. O TCU avisou que o déficit de 2025 é insuficiente para estabilizar a dívida, o que exigiria superávit de 1,94% do PIB (TCU, contas de 2025).

Uma ressalva de método vale para toda a seção. Os números do Tesouro (RTN, "acima da linha") e do Banco Central ("abaixo da linha") diferem. Em 2023, por exemplo, o RTN registra −R$ 230,5 bi e o BCB −R$ 264,5 bi para o Governo Central. As séries de dívida também foram revistas: a dívida bruta de 2022, divulgada como 73,5% na época, é hoje 71,68%. Este relatório usa as séries atuais.

Regras fiscais adaptadas pelos dois governos

O teto de gastos (EC 95/2016) foi alterado ou contornado entre 2019 e 2022 pelas ECs 102, 106, 109, 113, 114 e 123 (Planalto, EC 95/2016). A FGV IBRE, fonte não governamental, estimou R$ 794,9 bi de gastos fora do teto no período, dos quais R$ 507,9 bi em 2020. Esse número foi reproduzido pelo Money Times e não foi conferido no estudo original (Money Times). Em julho de 2022, ano eleitoral, a EC 123 decretou "estado de emergência" e liberou R$ 41,25 bi fora do teto e da meta, incluindo +R$ 200 no Auxílio Brasil e o auxílio-caminhoneiro, válidos até dezembro (Planalto, EC 123/2022).

O arcabouço fiscal (LC 200/2023) limita o crescimento real da despesa a 70% da alta da receita, entre 0,6% e 2,5% ao ano, e fixa banda de ±0,25 ponto do PIB para a meta (Planalto, LC 200/2023). As metas originais de 2025 e 2026 (superávits de 0,5% e 1,0%) foram reduzidas um ano depois para 0% e 0,25% (Planalto, Lei 15.080/2024; Planalto, Lei 15.321/2025). As metas foram cumpridas formalmente em 2024 e 2025, mas só depois de deduções. Em 2024 o déficit efetivo de R$ 43,0 bi virou R$ 11,0 bi com a exclusão de cerca de R$ 32 bi das enchentes do RS. Em 2025, R$ 61,7 bi viraram R$ 13,0 bi com deduções de R$ 48,7 bi, sobretudo precatórios (Tesouro, apresentação do RTN de dez/2025). Para 2026, o governo projeta déficit efetivo de R$ 80,9 bi, R$ 13,6 bi após as deduções, e contingenciou R$ 13,6 bi para chegar ao piso da meta (relato do Estadão reproduzido pela Tribuna do Sertão; o relatório bimestral oficial do 3º bimestre está no Raio-X do Congresso). A EC 136/2025 retirou os precatórios do limite de despesas a partir de 2026 (Planalto). No parecer sobre as contas de 2025, o TCU apontou "crescente dependência de mecanismos excepcionais" e a execução de políticas fora do orçamento ("desorçamentação"), como o Pé-de-Meia via fundo Fipem e créditos do Tesouro a fundos e bancos públicos (TCU, Acórdão 1.442/2026). Em 2026, ano eleitoral, as despesas discricionárias subiram 31,8% e o investimento 39,2% (nominais) em janeiro–agosto (RTN ago/2026).

As emendas parlamentares cresceram nos dois períodos por decisão do Congresso, com emendas constitucionais apoiadas pelos dois governos: ECs 100 e 105 em 2019 e EC 126 em 2022. As emendas de relator (RP9, o "orçamento secreto") somaram cerca de R$ 18,5–20,1 bi autorizados por ano em 2020–2022, segundo dados do Siga Brasil compilados pela Aos Fatos (Aos Fatos). O STF as declarou inconstitucionais em dezembro de 2022. Na LOA 2026, as emendas individuais, de bancada e de comissão somam R$ 49,9 bi, cerca de 22% da despesa discricionária (cálculo próprio com o Raio-X do 3º bimestre). A LC 210/2024 e decisões do ministro Flávio Dino (STF) impuseram exigências de rastreabilidade (Planalto, LC 210/2024).

Pontos a favor e contra

Bolsonaro (2019–2022)

A favor

  • Entregou a dívida bruta menor do que recebeu (−3,6 p.p.).
  • Superávit primário em 2022 e superávit consolidado em 2021–2022.
  • Despesa de cerca de 17,9% do PIB em 2021–2022, a mais baixa da série obtida (2018–2025).
  • Teto cumprido em 2019 (TCU).
  • Reforma da Previdência, com economia estimada em R$ 855 bi até 2029 (número da Wikipédia, não oficial).

Contra

  • Teto contornado por seis emendas constitucionais.
  • Precatórios empurrados para o governo seguinte.
  • Benefícios fora do teto em ano eleitoral (EC 123).
  • Superávit de 2022 apoiado em receitas extraordinárias.
  • Investimento federal mínimo em 2022 (0,45% do PIB).
  • Orçamento secreto (RP9).
  • Quebra da regra de ouro em 2019 (autorizada pelo Congresso).

Lula 3 (2023–2026)

A favor

  • Déficit acumulado menor (−0,85% do PIB) sem choque equivalente à Covid.
  • Metas de 2024 e 2025 cumpridas formalmente, com contingenciamento.
  • Quitou o estoque de precatórios.
  • Receita líquida média maior (18,0% do PIB), com medidas de tributação de altas rendas, fundos exclusivos e offshores.
  • Arcabouço com limite real de gasto.

Contra

  • Dívida bruta +11,2 p.p. até ago/2026, com juros de cerca de 8% do PIB por ano.
  • Metas reduzidas um ano depois de aprovadas.
  • Deduções crescentes da meta.
  • Centro da meta nunca atingido no resultado efetivo.
  • "Desorçamentação" apontada pelo TCU.
  • Despesas obrigatórias em 91,4% do total (2025).
  • BPC cresceu 61% nominais desde 2022.

Serviço público

Congelamento de 2019–2022 seguido de recomposição parcial em 2023–2026

Esta é a área em que a diferença entre os períodos aparece mais diretamente no contracheque, inclusive para quem é servidor estadual. Parte do que afetou estados e municípios veio de leis federais aprovadas pelo Congresso.

Indicadores comparados

Cada linha da tabela abaixo indica o período com melhor resultado naquele indicador. "Sem comparação direta" marca dados que não podem ser comparados (falta de série, métricas diferentes) ou cuja avaliação depende da visão de cada eleitor. As linhas têm o mesmo peso, e o contexto está no texto.

IndicadorMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2026)Fonte
Reajuste linear do Executivo federalLula 3Nenhum (exceto militares, segundo a Wikipédia)9% (jun/2023); 0% (2024, com aumento de benefícios); 9% (jan/2025); 5% (abr/2026) na tabela geralCâmara/imprensa; Planalto (Lei 15.141/2025)
Efeito real da tabela geralLula 3≈ −21% (dez/2018 a dez/2022)≈ +3,9% (dez/2022 a dez/2025); ≈ −18% sobre dez/2018Cálculo próprio com o IPCA
Auxílio-alimentaçãoLula 3R$ 458 o período todo (valor de 2016); reajuste anunciado em jun/2022 barrado pela LDOR$ 658 (mai/2023) → R$ 1.000 (mai/2024) → R$ 1.192 (abr/2026, imprensa)Portarias MP 11/2016, MGI 977/2023 e 2.797/2024
Nomeações estatutárias (PEP/MGI)Empate4.311 / 3.197 / 1.434 / 7.371 = 16.3134.996 / 3.575 = 8.571 (2023–2024); 2025–2026 sem dado oficialMGI via imprensa
Saldo ingressos − aposentadorias (recorte MGI)Lula 310.785 − 55.067 = −44.50219.381 − 16.546 = +2.835 (até mar/2026)MGI (coletiva de 17/03/2026, via imprensa)
Concurso unificadoLula 3Não houveCNU 1: 6.640 vagas e 2,14 milhões de inscritos; CNU 2: 3.652 vagas e 761.545 inscritosMGI
Negociação coletivaLula 3Sem registro de mesa permanente em funcionamentoMesa Nacional de Negociação Permanente reinstalada em fev/2023MGI
Reforma administrativaSem comparação diretaPEC 32/2020 (fim da estabilidade para a maioria dos novos servidores); parada no plenário desde 2021Sem PEC própria; reestruturação por lei (Leis 15.141/2025 e 15.367/2026); a PEC 38/2025, da Câmara, está paradaCâmara; Planalto
Gasto federal com pessoal (% do PIB)Sem comparação direta2,4% (2018 e 2020)≈2,6% (projeção do MGI para 2023–2026)IPEA/Fonacate; MGI
Militares em funções civisSem comparação direta2.765 (2018) → 6.157 (2020), sendo 1.969 temporários do INSSSem dado obtidoTCU
Ministérios (com status de ministério)Sem comparação direta22 → 2337 → 39Planalto; Wikipédia
Séries anuaisano-baseBolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026parcial ou projeção (*)

Poder de compra da tabela geral

Salário-base federal sem acordo de carreira, dez/2018 = 100

Cálculo próprio: reajustes de 9% (2023) e 9% (2025) deflacionados pelo IPCA dez/dez. Não inclui auxílios nem os 5% de abr/2026.
Ver valores
Anopontos
2018100,0
201995,9
202091,7
202183,3
202278,8
202382,1
202478,3
202581,9

Nomeações estatutárias

Executivo federal, por ano

MGI, Painel Estatístico de Pessoal, via imprensa. 2025–2026 (posses dos CNUs) sem dado oficial.
Ver valores
Anonomeações
20182283
20194311
20203197
20211434
20227371
20234996
20243575

Salários: perda real de cerca de 21% e recomposição parcial

Entre 2019 e 2022, os servidores civis do Executivo federal não tiveram reajuste linear. Com IPCA acumulado de 26,9%, quem dependia só da tabela geral perdeu cerca de 21% do poder de compra (cálculo próprio com o IBGE SIDRA 1737). O congelamento teve dois componentes. Um é a escolha do governo de não conceder reajuste dentro do teto de gastos. O outro é a LC 173/2020, aprovada pelo Congresso em troca do auxílio de R$ 60 bi a estados e municípios e validada pelo STF por unanimidade em março de 2021 (CNN Brasil). Até 31/12/2021, ela proibiu em União, estados, DF e municípios reajustes, criação de cargos, reestruturação de carreiras, concursos (salvo reposição) e a contagem do tempo de 28/05/2020 a 31/12/2021 para anuênios, triênios, quinquênios e licença-prêmio (Planalto, LC 173/2020). Em abril de 2022, ano eleitoral, o governo anunciou reajuste linear de 5% a partir de julho, ao custo de cerca de R$ 6,3 bi. Em junho desistiu por falta de espaço no orçamento, e o projeto não chegou a ser enviado. Não foi localizada nota oficial; o relato é da imprensa (A Gazeta, abr/2022; Exame; Movimento Econômico, 10/06/2022). O auxílio-alimentação ficou em R$ 458 de 2016 a 2022; o reajuste anunciado em junho de 2022 esbarrou na LDO.

No Lula 3, o reajuste linear de 9% em 2023 foi pago a partir de junho, inclusive a aposentados e pensionistas (Congresso em Foco). Em 2024 o reajuste linear foi zero, mas o auxílio-alimentação subiu de R$ 658 para R$ 1.000 e os auxílios saúde e creche cerca de 50%. Para quem recebe os três auxílios e ganha pouco, o ganho total chegou a 23%; para quem ganha R$ 15 mil, a 5,1%, segundo cálculo da Exame (Exame). A Lei 15.141/2025 fixou 9% a partir de janeiro de 2025 e 5% a partir de abril de 2026 para a tabela geral, reestruturou dezenas de carreiras e criou carreiras transversais (Planalto, Lei 15.141/2025). A Agência Brasil fala em "9% e 9%", o que provavelmente se refere a carreiras com acordo próprio. Pela tabela geral, o ganho real até dezembro de 2025 é de cerca de 3,9%. Desde dezembro de 2018, o salário-base da tabela geral ainda está cerca de 18% abaixo do poder de compra original (cálculo próprio). A recomposição existe, mas é parcial, e os benefícios pesam proporcionalmente mais para quem ganha menos. A lei final superou a primeira proposta do governo (4,5% + 4,5%), depois das greves de 2024 nas universidades e institutos federais, que atingiram 64 instituições por cerca de dois meses (dado da Wikipédia).

Quadros: o saldo de pessoal inverteu o sinal

O ingresso de servidores chegou ao mínimo de 1.434 nomeações em 2021, ano em que a LC 173 vedava concursos, e saltou para 7.371 em 2022, ano eleitoral. Parte dessas nomeações veio de concursos autorizados antes. Sob Lula, foram 4.996 (2023) e 3.575 (2024). Esses dados do Painel Estatístico de Pessoal foram reproduzidos pela imprensa (Folha de Pernambuco). A média anual de 2023–2024 (≈4,3 mil) é praticamente igual à de 2019–2022 (≈4,1 mil). A diferença aparece em 2025–2026, com as posses dos dois Concursos Nacionais Unificados: o CNU 1 teve 6.640 vagas e o CNU 2, 3.652, com 761.545 inscritos (MGI, press kit do CPNU 2). O MGI não publicou o número de ingressos de 2025 isoladamente; em junho de 2026, a ministra falou em cerca de 21 mil ingressos desde 2023 (Folha Dirigida). Segundo o MGI, o saldo entre ingressos e aposentadorias foi de −44.502 em 2019–2022 e +2.835 em 2023–março de 2026. O que mais pesou foi a queda das aposentadorias, de 55 mil para 16,5 mil. A corrida por aposentadoria em torno da EC 103/2019 e a redução do contingente elegível ajudam a explicar o número. O dado vem de coletiva da ministra Esther Dweck, reproduzida pela imprensa, e usa um recorte que parece excluir universidades e institutos (Wagner Advogados/Correio Braziliense). O próprio MGI projeta mais de 70 mil aposentadorias até 2030. A ministra anunciou poucas autorizações para 2026 e nenhum CNU 3 neste ano (JC Concursos).

Os gastos com pessoal ficaram estáveis em proporção do PIB. Estudo do Ipea e de Junqueira e Orair (Fonacate/Anfip) aponta 2,4% do PIB em 2018 e em 2020 (Caderno Fonacate 39). O MGI projeta cerca de 2,6% para 2023–2026 (MGI, nota de nov/2024). A rubrica "Pessoal e Encargos" do Tesouro usa um recorte mais amplo e chegou a R$ 407,9 bi em 2025, recorde nominal. Os dois números medem coisas diferentes e não devem ser misturados.

Reforma administrativa, previdência e organização do Estado

A PEC 32/2020, enviada pelo governo Bolsonaro, limitava a estabilidade a "carreiras típicas de Estado", criava vínculo de experiência e novos tipos de contrato. Foi aprovada na comissão especial em setembro de 2021 e está "pronta para pauta" no plenário desde então (Câmara, ficha de tramitação). A PEC 38/2025, nascida de grupo de trabalho da Câmara, mantém formalmente a estabilidade, mas prevê avaliação de desempenho obrigatória, bônus por resultado, carreiras com ao menos 20 padrões e teto de despesa para os três Poderes. A descrição vem da imprensa (SBT News e Congresso em Foco), porque o texto oficial ficou inacessível. A PEC está parada. O governo não publicou nota formal, mas a ministra Esther Dweck disse em novembro de 2025 que o Executivo não concorda com a proposta como está, por considerá-la ampla demais e sem consenso (Folha Dirigida). O governo seguiu uma agenda própria: carreiras com 20 padrões, transformação de 29,7 mil cargos vagos e nova Lei de Cotas em concursos (Lei 15.142/2025) (Agência Brasil). Há convergência parcial entre a reestruturação do governo e a PEC 38 nos 20 padrões e na distância entre salário inicial e final.

A EC 103/2019 fixou para o servidor federal alíquotas progressivas de 7,5% a 22% e idade mínima de 62 (mulheres) e 65 anos (homens). Estados e municípios não podem cobrar alíquota menor que a da União, salvo se não tiverem déficit atuarial (Planalto, EC 103/2019). O Lula 3 não alterou essas regras. A plataforma gov.br nasceu em 2019 (Decreto 9.756) e foi ampliada depois, com 175 milhões de contas e 5.179 serviços em maio de 2026 (gov.br/governodigital). No índice de governo digital da ONU, o valor do Brasil subiu de 0,733 (2018) para 0,840 (2024), enquanto a posição oscilou entre 44º e 54º (UN DESA). Segundo levantamento do TCU, os militares em funções civis passaram de 2.765 (março de 2018) para 6.157 (março de 2020), incluindo 1.969 temporários contratados para a fila do INSS (TCU, via Conjur).

Efeitos sobre estados e municípios, incluindo o Espírito Santo

Para o servidor estadual, quatro normas federais pesam diretamente. A primeira é a LC 173/2020, já descrita: o tempo entre maio de 2020 e dezembro de 2021 não contou para adicionais, salvo lei posterior. O PLP 143/2020 propõe pagamento retroativo e ainda tramita (relato da Wagner Advogados). A segunda é o piso do magistério, reajustado por fórmula legal ligada à receita do Fundeb: 0% em 2021, +33,24% em 2022, +14,95% em 2023, +3,62% em 2024 e +6,27% em 2025, segundo compilações de imprensa e sindicatos (Aos Fatos). Os extremos refletem a regra, não discricionariedade. Em 2026 o piso subiu 5,4%, para R$ 5.130,63, já por uma fórmula nova (INPC mais metade do crescimento real da receita do Fundeb), criada por medida provisória porque a regra antiga daria só 0,37% (Planalto, Lei 15.437/2026). A terceira é o piso da enfermagem (Lei 14.434/2022, sancionada por Bolsonaro), de R$ 4.750 para enfermeiros, que vale também para servidores estaduais e municipais (Planalto). A quarta é o Propag (LC 212/2025, sancionada por Lula), que renegocia dívidas estaduais com juros reais de 0% a 4%. Em troca, prevê um teto de crescimento da despesa primária, incluindo pessoal (Planalto, LC 212/2025). Pela regulamentação, esse teto vale para os estados que tinham pagamentos suspensos ou adiados, na prática os vindos do Regime de Recuperação Fiscal (Planalto, Decreto 12.433/2025). O Espírito Santo pediu adesão em 30/12/2025, na condição que zera os juros sobre cerca de R$ 1,75 bi (21% da dívida), com economia estimada em R$ 3,3 bi (Sefaz-ES). Como o ES não vinha do Regime de Recuperação, o teto sobre a folha em princípio não o alcança; essa é uma leitura da regra, sem documento oficial que trate do caso do estado. A EC 136/2025 também criou limites escalonados de pagamento de precatórios para estados e municípios (Planalto). Em dezembro de 2023, o Espírito Santo tinha 10.166 servidores federais civis ativos (IBGE, Anuário 2023).

Pontos a favor e contra

Bolsonaro (2019–2022)

A favor

  • Gasto com pessoal contido em cerca de 2,4% do PIB.
  • Piso do magistério +33,24% em 2022 (por fórmula legal) e piso da enfermagem sancionado.
  • Plataforma gov.br criada.
  • Pico de nomeações em 2022.
  • A LC 173 (Congresso) financiou R$ 60 bi para estados e municípios na pandemia.

Contra

  • Nenhum reajuste linear e perda real de cerca de 21%.
  • Mínimo de nomeações em 2021.
  • Saldo de −44,5 mil servidores.
  • PEC 32 com fim da estabilidade para a maioria dos novos servidores.
  • Aumento de militares em cargos civis, com irregularidades apontadas pela CGU em 2022.
  • Sem mesa de negociação registrada.

Lula 3 (2023–2026)

A favor

  • Reajustes lineares (9% + 9% + 5%), benefícios ampliados, Mesa de Negociação reinstalada, dois CNUs com grande alcance nacional, saldo de pessoal positivo, reestruturação de carreiras e novas cotas.
  • Gasto com pessoal estável em cerca de 2,6% do PIB, segundo o MGI.

Contra

  • Reajuste zero em 2024 e greves longas.
  • Recomposição parcial: a tabela geral segue cerca de 18% abaixo de 2018.
  • Poucas autorizações em 2026.
  • O Propag limita a despesa, inclusive com pessoal, nos estados vindos do Regime de Recuperação Fiscal.
  • Ministérios passaram de 23 para 37–39.
  • Gasto nominal com pessoal em recorde.

Saúde

Pandemia no período Bolsonaro, piso restaurado e vacinação recuperada no Lula 3

Indicadores comparados

Cada linha da tabela abaixo indica o período com melhor resultado naquele indicador. "Sem comparação direta" marca dados que não podem ser comparados (falta de série, métricas diferentes) ou cuja avaliação depende da visão de cada eleitor. As linhas têm o mesmo peso, e o contexto está no texto.

IndicadorMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2026)Fonte
Gasto federal em saúde (ASPS)Lula 3157,4 / 198,7 / 199,6 / 159,8 R$ bi (provavelmente a preços de 2023)179,8 (2023); 215,9 (2024); 234,5–236,0 (2025) R$ bi nominaisSiops/MS via CONASS; MS (RAG)
Regra do pisoLula 3Piso da EC 95 (valor do ano anterior + IPCA)15% da RCL restaurado (EC 126 e LC 200)CONASS; Câmara
Aplicação acima do pisoBolsonaroAté 144,6% em 2020–2021 (créditos da covid); 108,6% em 2022104,1% (2023); 100,7% (2024)Tesouro (RREO) via imprensa
Emendas na despesa discricionária do MSBolsonaro43,8 / 19,0 / 29,5 / 47,7%52,5% (2023); 45,4% (2024); 43% (2025, TCU)Ipea; TCU
Mortes por covidSem comparação direta194,9 mil (2020); 424,1 mil (2021); 74,7 mil (2022)14,7 mil (2023); 5,9 mil (2024); ≈2 mil (2025)MS via Poder360
Esquema vacinal primário contra covidSem comparação direta68,2% da população (fim de 2021); 83,2% (fim de 2022)83,8% (mar/2023); ≈86% (mar/2025, MS)Our World in Data (não governamental); MS
Cobertura de vacinas infantis (tríplice viral, 1ª dose)Lula 393,1 / 80,9 / 74,9 / 79,6%86,8% (2023); 95,6% (2024)SI-PNI via CNM
Certificado de eliminação do sarampoLula 3Perdido em 2019Recuperado em 12/11/2024OPAS via imprensa
Expectativa de vidaLula 376,2 → 74,8 → 72,8 → 75,4 anos76,4 (2023); 76,6 (2024), recordeIBGE
Mortalidade infantil (por mil)Empate12,1 / 11,4 / 12,2 / 12,412,5 (2023); 12,3 (2024)IBGE
Mortalidade materna (por 100 mil nascidos vivos)Empate≈55–58 (2019); 107–114 (2021); 54,5 (2022)56,4 (2024)MS/OOBr; SIM via observatórios
Médicos no Mais MédicosLula 312.843 (dez/2022), após a saída de cerca de 8,5 mil cubanos21.794 (dez/2023); 25.636 (abr/2024); ≈24,7 mil (jul/2025)MS via imprensa
Farmácia PopularLula 3Corte de 59% proposto no PLOA 2023 (não executado)R$ 2,5 bi (2022) → R$ 4,2 bi ou R$ 6 bi (2025, conforme a fonte); todos os itens gratuitos desde fev/2025Consultoria do Senado; MS
Ministros da SaúdeLula 34 (Mandetta, Teich, Pazuello, Queiroga)2 (Nísia, Padilha)Wikipédia
DengueBolsonaroSem recorde no período2024: 6,6 milhões de casos prováveis e 6.022 mortes, recordeMS via imprensa
Séries anuaisano-baseBolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026parcial ou projeção (*)

Expectativa de vida ao nascer

Anos

IBGE, Tábua Completa de Mortalidade 2024.
Ver valores
Anoanos
201976,2
202074,8
202172,8
202275,4
202376,4
202476,6

Cobertura da tríplice viral, 1ª dose

% do público-alvo

SI-PNI/MS compilado pela CNM (entidade não governamental). Mudança de sistema em 2023.
Ver valores
Ano%
201892,6
201993,1
202080,9
202174,9
202279,6
202386,8
202495,6

Financiamento, pandemia e resultados

O gasto federal em saúde subiu temporariamente em 2020–2021 com créditos extraordinários da covid e caiu em 2022 a um nível próximo ao de 2018. É o que mostra a série do Siops reproduzida pelo CONASS, entidade dos secretários estaduais de saúde. A série parece estar em reais de 2023, ponto que não foi confirmado (CONASS). O congelamento do piso pela EC 95/2016, aprovada no governo Temer, explica boa parte desse comportamento. O PLOA 2023, enviado pelo governo Bolsonaro, previa o menor orçamento da Saúde em dez anos, R$ 39,4 milhões acima do mínimo, segundo as consultorias de orçamento do Senado e da Câmara (Agência Senado). No Lula 3, o aumento para R$ 215,9 bi em 2024 e R$ 234,5 bi em 2025 decorre sobretudo da volta do piso de 15% da receita corrente líquida. Em 2024 a aplicação ficou só R$ 1,4 bi acima do mínimo (MS, Relatório Anual de Gestão 2024; MS, RAG 2025). Há divergência oficial sobre o piso de 2023: R$ 172,64 bi segundo o TCU e R$ 185,06 bi segundo a Câmara. Nos dois governos, as emendas parlamentares ganharam peso na despesa discricionária da saúde. O pico foi de 52,5% em 2023, segundo o Ipea (Ipea). O TCU alertou que recursos temporários financiam despesas permanentes (TCU, maio/2026).

Cerca de 87% das cerca de 716 mil mortes por covid ocorreram em 2020–2021, antes da vacinação em massa (Poder360, dados do MS). Pelo Our World in Data (não governamental, via tabela da Wikipédia), a mortalidade acumulada do Brasil é de 3.347 por milhão de habitantes, quase quatro vezes a média mundial. O número é parecido com o dos EUA (3.626), do Reino Unido (3.404) e do Chile (3.298) e bem menor que o do Peru (6.603) (Wikipedia, dados OWID). A média mundial é rebaixada pela subnotificação em países pobres. Mesmo com início tardio e resistência pública do presidente, a vacinação chegou a 68,2% da população com esquema completo no fim de 2021, contra 48,9% no mundo (Our World in Data). O resultado se apoiou no PNI e no SUS, no Butantan e na Fiocruz e na atuação de estados como São Paulo. Registros da Wikipédia, reproduzindo a CPI, mostram que a oferta de 70 milhões de doses da Pfizer em 2020 ficou sem resposta. Houve quatro ministros da Saúde entre 2020 e 2021, e em janeiro de 2021 faltou oxigênio em Manaus. A CPI da Covid pediu 80 indiciamentos e imputou nove crimes a Bolsonaro (Correio Braziliense). Essas são conclusões de investigação parlamentar, não condenações. A vice-procuradora-geral pediu o arquivamento de 7 das 10 apurações ligadas a Bolsonaro, e o caso Covaxin foi arquivado. O número de mortes atribuíveis ao atraso na compra de vacinas é objeto de estimativas acadêmicas e não está estabelecido judicialmente.

As coberturas vacinais de rotina já caíam desde 2016. Afundaram em 2019–2021, quando a pólio chegou a 71,0% e a tríplice viral a 74,9%, e se recuperaram com força em 2023–2024: em 2024, a BCG chegou a 96,2% e a tríplice viral a 95,6% (CNM, estudo de coberturas vacinais 2010–2024, com dados do SI-PNI). A CNM é uma entidade não governamental que compilou dados oficiais. A BCG cai em 2023 (77,5%) e sobe em 2024 (96,2%), o que sugere mudança de sistema e de denominador. Por isso as comparações em torno de 2023 exigem cautela. O Brasil perdeu o certificado de eliminação do sarampo em 2019, após o surto iniciado em 2018 em Roraima e no Amazonas, e o recuperou em novembro de 2024 (Correio Braziliense). Segundo o IBGE, a expectativa de vida caiu de 76,2 anos (2019) para 72,8 (2021) e atingiu o recorde de 76,6 em 2024 (IBGE, Tábua de Mortalidade 2024). A recuperação começou em 2022 e acompanha o fim da fase aguda da covid. A mortalidade infantil ficou praticamente estável em todo o período, sem melhora clara em nenhum dos dois governos.

Na atenção primária, a saída dos médicos cubanos, anunciada em novembro de 2018, e a demora na implantação do Médicos pelo Brasil levaram o Mais Médicos a 12.843 profissionais em dezembro de 2022. O programa foi relançado em 2023 e chegou a 25.636 profissionais em abril de 2024. Esses números são do MS, mas foram divulgados por um veículo alinhado a partido (Vermelho, citando o MS). Em julho de 2025 eram cerca de 24,7 mil, segundo a imprensa. O Farmácia Popular passou a ter todos os itens gratuitos em fevereiro de 2025. O orçamento do programa em 2025 aparece como R$ 4,2 bi ou R$ 6 bi, conforme a fonte do próprio governo (Padilha ao Senado). Em 2024 o país teve a maior epidemia de dengue da história, com 6,6 milhões de casos prováveis e 6.022 mortes, em contexto continental de El Niño e calor recorde. O manejo clínico é responsabilidade compartilhada com estados e municípios (painel do MS reproduzido pela Revista Oeste). Na Terra Yanomami, a emergência foi declarada em janeiro de 2023 diante de cerca de 20 mil garimpeiros. As mortes registradas subiram em 2023 (428), o que se explica em parte pela subnotificação anterior admitida pela Sesai, e caíram 21% em 2024 (337) (Agência Brasil). O MPF e a Justiça Federal criticaram a "inércia" do governo em 2023.

Pontos a favor e contra

Bolsonaro (2019–2022)

A favor

  • Créditos extraordinários elevaram o gasto em saúde a até 144,6% do piso na pandemia.
  • Cobertura de vacinação contra covid acima da média mundial já em 2021–2022.
  • Recuperação da expectativa de vida e da mortalidade materna começou em 2022.
  • Piso da enfermagem sancionado.
  • Médicos pelo Brasil criado em lei.

Contra

  • Quatro ministros em plena pandemia.
  • Resistência pública à vacinação e atraso na compra da Pfizer.
  • Crise do oxigênio em Manaus.
  • CPI com 80 pedidos de indiciamento (sem condenação).
  • Coberturas infantis no fundo do poço.
  • Perda do certificado do sarampo.
  • Corte de 59% proposto ao Farmácia Popular.
  • PLOA 2023 com o menor orçamento da Saúde em dez anos.

Lula 3 (2023–2026)

A favor

  • Piso de 15% da RCL restaurado, com gasto de R$ 234,5 bi em 2025.
  • Recuperação das coberturas vacinais e recertificação do sarampo.
  • Mais Médicos dobrado.
  • Farmácia Popular ampliado e gratuito.
  • Expectativa de vida recorde.
  • Queda das mortes Yanomami a partir de 2024.

Contra

  • Gasto apenas ligeiramente acima do mínimo (0,7% em 2024).
  • Emendas no pico de 52,5% do discricionário em 2023.
  • Epidemia recorde de dengue em 2024.
  • Pior ano de mortes Yanomami registrado em 2023, com críticas de "inércia".
  • Mortalidade infantil sem melhora.
  • Judicialização crescente (R$ 2,7 bi em 2024).

Educação

Ideb recorde em 2025, mas PISA estável e mérito dividido com estados e Congresso

Indicadores comparados

Cada linha da tabela abaixo indica o período com melhor resultado naquele indicador. "Sem comparação direta" marca dados que não podem ser comparados (falta de série, métricas diferentes) ou cuja avaliação depende da visão de cada eleitor. As linhas têm o mesmo peso, e o contexto está no texto.

IndicadorMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2026)Fonte
Gasto do MEC (pago, R$ bi nominais)Lula 3109,6 (2018) → 141,0 (2022): ≈ +1% real141,0 → 182,9 (2025): ≈ +13–14% realIpea; Portal da Transparência; cálculo próprio
Despesa discricionária do MECSem comparação direta−49,9% real entre 2015 e 2021Recomposição em 2023; nova perda real em 2024–2025Câmara (NT 17/2022); imprensa
Discricionário das universidadesLula 32021 foi o ponto mais baixo+19,5% real em 2023; −7,6% (2024); −4,9% (2025)Gazeta do Povo (dados do Portal); o MEC contesta com recorte mais amplo
Complementação da União ao FundebSem comparação direta10% → 12% (2021) → 15% (2022); ≈R$ 19 bi em 202117% (2023) → 23% (2026); R$ 56,5 bi em 2025Planalto (EC 108); FNDE
Ideb anos iniciais / finais / ensino médio (nacional)Lula 32019: 5,9 / 4,9 / 4,2; 2021: 5,8 / 5,1 / 4,22023: 6,0 / 5,0 / 4,3; 2025: 6,3 / 5,3 / 4,5 (máximo da série)Inep via imprensa e Agência Gov
PISA, matemática / leitura / ciênciasEmpate2018: 384 / 413 / 404; 2022: 379 / 410 / 4032025: 377 / 408 / 409OCDE/Inep
Alfabetização na idade certa (ICA)Sem comparação diretaIndicador inexistente56% (2023) → 59,2% (2024) → 66% (2025)Inep/MEC via TPE (ONG)
Bolsas de mestrado e doutoradoLula 3Congeladas desde 2013; 11.811 bolsas CAPES congeladas em 2019Reajuste de 40% em fev/2023CAPES
Merenda escolar (PNAE)Lula 3Sem reajuste desde 2017; −9,4% real em 2022Reajuste de até 39% em mar/2023Câmara; imprensa
Inscritos no EnemLula 35,51 mi (2018) → 3,41 mi (2022)3,93 mi (2023) → 4,81 mi (2025)Inep via Wikipédia e imprensa
Tempo integral (rede pública)Lula 315,1% (2021)25,8% (2025)Censo Escolar via fundação privada
Ministros da EducaçãoLula 34 empossados, mais um nomeado sem posse2 (Camilo Santana; Leonardo Barchini desde abr/2026)Wikipédia
Séries anuaisano-baseBolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026parcial ou projeção (*)

Ideb — anos iniciais

Índice de 0 a 10, total nacional

Inep/MEC, via reprodução de material oficial.
Ver valores
Anopontos
20175,8
20195,9
20215,8
20236,0
20256,3

Ideb — anos finais

Índice de 0 a 10, total nacional

Inep/MEC, via reprodução de material oficial.
Ver valores
Anopontos
20174,7
20194,9
20215,1
20235,0
20255,3

Ideb — ensino médio

Índice de 0 a 10, total nacional

Inep/MEC, via reprodução de material oficial.
Ver valores
Anopontos
20173,8
20194,2
20214,2
20234,3
20254,5

Orçamento, aprendizagem e programas

O gasto total do MEC ficou praticamente estável em termos reais entre 2018 e 2022 e cresceu cerca de 13–14% reais entre 2022 e 2025 (cálculo próprio a partir do Ipea, TD 2976 e do Portal da Transparência). O valor de 2018 diverge entre o Portal e o Ipea. Grande parte do aumento recente decorre do Fundeb permanente (EC 108/2020), aprovado pelo Congresso em 2020 com complementação da União crescente até 23% em 2026 (Planalto, EC 108/2020). Na negociação, o governo Bolsonaro tentou adiar o início, desviar parte do aumento para vouchers e para o Renda Brasil e transformar o piso salarial de 70% em teto. Foi derrotado e acabou apoiando o texto, e Bolsonaro sancionou a regulamentação (Congresso em Foco). O crescimento da complementação no Lula 3 cumpre esse cronograma constitucional, embora o pacote fiscal de 2024 tenha permitido usar até 20% dela no tempo integral. As despesas discricionárias do MEC caíram 49,9% em termos reais entre 2015 e 2021, efeito do teto de gastos, segundo a Consultoria de Orçamento da Câmara (Câmara, NT 17/2022). As universidades tiveram o pior momento em 2021, recomposição de cerca de 20% em 2023 e nova perda real em 2024–2025, segundo a Gazeta do Povo com dados do Portal da Transparência. O MEC contesta com um recorte mais amplo. Pelo Observatório do Conhecimento, entidade não governamental, o discricionário das universidades no PLOA 2026 equivale a 45,3% do valor de 2014 (Câmara, apresentação do Observatório). Nenhum dos dois governos se aproximou do pico de 2014–2015.

Nos resultados, o Ideb de 2025 atingiu o maior valor da série nas três etapas: 6,3, 5,3 e 4,5 no total nacional. Na rede pública, os anos iniciais foram de 5,7 para 6,1 entre 2023 e 2025 (Agência Gov/EBC). A série nacional vem de material do Inep reproduzido pela imprensa, porque a página oficial não abriu. Entre 2019 e 2023, a nota de aprendizagem do Saeb na rede pública caiu (de 6,02 para 5,91 nos anos iniciais), enquanto o Ideb se manteve graças às taxas de aprovação, segundo o Todos Pela Educação, organização não governamental (TPE). Em 2020 o Brasil teve 178 dias de escolas totalmente fechadas, o maior número entre 46 países, segundo relatório de OCDE, UNESCO, UNICEF e Banco Mundial. Esse fechamento foi decidido por estados e municípios. O PISA ficou praticamente estável: 377 em matemática e 408 em leitura em 2025, contra 384 e 413 em 2018, com cerca de 72% dos alunos abaixo do nível básico em matemática (Inep, PISA 2025). A significância estatística das variações de 2025 não foi confirmada. O Indicador Criança Alfabetizada subiu de 56% para 66% entre 2023 e 2025 e superou a meta de 64% (Todos Pela Educação, nota técnica do ICA 2025). Como o indicador não existe para 2019–2022, não há base de comparação. Como a maior parte das matrículas é estadual ou municipal, não é sustentável atribuir a melhora de 2025 só ao governo Lula nem a queda de 2021 só ao governo Bolsonaro.

O Lula 3 criou o Pé-de-Meia (Lei 14.818/2024), poupança para alunos de baixa renda do ensino médio, com cerca de R$ 12,5 bi por ano para 3,9–4 milhões de alunos (Planalto). O TCU bloqueou R$ 6 bi em janeiro de 2025 porque os recursos transitavam "fora do Orçamento". Depois liberou a execução provisória e deu 120 dias para regularizar (TCU). A auditoria encontrou irregularidades em menos de 0,5% dos beneficiários. O questionamento foi fiscal, não de mérito, e no PLOA 2027 o programa entra no orçamento. O governo também criou o programa Escola em Tempo Integral (Lei 14.640/2023), revisou a reforma do ensino médio (Lei 14.945/2024, que elevou a formação geral básica para no mínimo 2.400 horas), ampliou a Lei de Cotas (Lei 14.723/2023), extinguiu o programa de escolas cívico-militares (215 escolas, Decreto 11.611/2023) e sancionou o novo PNE em abril de 2026. Entre 2025 e abril de 2026, o país ficou sem plano nacional de educação em vigor. No período Bolsonaro, houve erro de correção no Enem 2019 que atingiu 5.974 candidatos (Congresso em Foco) e a saída de 37 servidores do Inep em 2021 por alegações de assédio e interferência no Enem. Houve ainda o caso dos pastores no MEC, que levou à prisão e soltura do ministro Milton Ribeiro em 2022 e segue sem desfecho criminal conhecido.

Pontos a favor e contra

Bolsonaro (2019–2022)

A favor

  • Sancionou o Fundeb permanente e sua regulamentação, que elevam a complementação da União até 2026.
  • Ideb dos anos finais subiu em 2019 e 2021 (2021 com ressalva de comparabilidade).
  • Piso do magistério +33,24% em 2022 (por fórmula).
  • Educação básica +10,6% real em 2022.
  • Pecim criado com adesão voluntária.

Contra

  • Tentou desidratar o Fundeb e foi derrotado.
  • Discricionárias no ponto mais baixo em 2021. 11.811 bolsas congeladas (2019).
  • Merenda sem reajuste.
  • Inscritos no Enem caíram para o menor nível desde 2005.
  • Erro no Enem 2019 e crise do Inep em 2021.
  • Caso dos pastores.
  • Quatro ministros.

Lula 3 (2023–2026)

A favor

  • Ideb máximo da série em 2025.
  • Alfabetização de 56% para 66%.
  • Reajuste de 40% nas bolsas e de até 39% na merenda.
  • Pé-de-Meia.
  • Tempo integral de 15,1% para 25,8% das matrículas públicas.
  • Enem recuperando inscritos.
  • Gasto real do MEC +13–14%.
  • Novo PNE sancionado.
  • Estabilidade ministerial.

Contra

  • Universidades com nova perda real em 2024–2025, muito abaixo de 2014.
  • Pé-de-Meia executado fora do orçamento (TCU).
  • PISA sem melhora.
  • Matemática do ensino médio ainda abaixo de 2019.
  • Parte do aumento de gasto é cronograma constitucional herdado.
  • PNE vencido sem substituto por mais de um ano.

Segurança pública

Homicídios caíram nos dois governos, e a diferença está nas armas

Indicadores comparados

Cada linha da tabela abaixo indica o período com melhor resultado naquele indicador. "Sem comparação direta" marca dados que não podem ser comparados (falta de série, métricas diferentes) ou cuja avaliação depende da visão de cada eleitor. As linhas têm o mesmo peso, e o contexto está no texto.

IndicadorMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2025; 2026 parcial)Fonte
Mortes violentas intencionais (MVI)Empate57.592 (2018) → 47.963 (2022): −16,7%47.963 → 40.775 (2025): −15,0%FBSP (ONG), Anuário 2026
Taxa de MVI por 100 mil habitantesEmpate27,9 → 22,722,7 → 19,1 (menor desde 2012)FBSP
Homicídios no SIM/DATASUSEmpate57.956 (2018) → 46.409 (2022): −19,9%45.747 (2023) → 42.590 (2024): −8,2% sobre 2022Atlas da Violência (Ipea/FBSP)
Homicídios dolosos (Sinesp)Sem comparação direta1º tri/2022: 9.71435.138 (2024) → 31.448 (2025); 1º tri/2026: 7.289MJSP
FeminicídiosBolsonaro1.437 (2022)1.467 / 1.492 / 1.571 (2023–2025)FBSP
Mortes por intervenção policialEmpate6.175 (2018) → 6.429 (2022)6.393 / 6.237 / 6.602 (recorde em 2025)FBSP
EstelionatosLula 3≈427 mil (2018) → 1,82 milhão (2022)2,26 milhões (2025)FBSP; base de 2018 deduzida
Pessoas registradas como CACSem comparação direta≈117 mil (2018, valor deduzido) → 783.385 (2022)Novos registros −79,4% (2022→2024); 1,02 milhão de CACs ativos (2025, contagem da PF)FBSP; PF via imprensa
Novas armas registradasSem comparação direta≈1,1 milhão (2020–2022)≈240 mil (2023–2025): −80%PF via SBT News
Fundo Nacional de Segurança Pública (repasses)Lula 3R$ 970,7 mi (2021–2022)R$ 1,76 bi (2023–2024): +80,9%MJSP via imprensa
Bens apreendidos pela PFLula 3"Menos de R$ 1 bi" (2022)R$ 3 bi (2023), R$ 6–6,5 bi (2024), R$ 9,5 bi (2025)PF via imprensa
Ministros da JustiçaEmpate3 (Moro, Mendonça, Torres)3 (Dino, Lewandowski, Wellington César)Wikipédia
Séries anuaisano-baseBolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026parcial ou projeção (*)

Mortes violentas intencionais

Vítimas por ano

Fórum Brasileiro de Segurança Pública (ONG), Anuário 2026, série revisada.
Ver valores
Anovítimas
201857592
201947765
202050448
202148286
202247963
202346441
202444220
202540775

Homicídios no SIM/DATASUS

Vítimas por ano

Atlas da Violência (Ipea e FBSP), dados do Ministério da Saúde. Em 2024 o Atlas estima 7.083 homicídios ocultos.
Ver valores
Anovítimas
201857956
201945503
202049868
202147847
202246409
202345747
202442590

O que é federal e o que não é

Pela Constituição, as polícias militares e civis respondem aos governadores (art. 144), e os estados responderam por cerca de 80% do gasto com segurança em 2025 (R$ 131,2 bi de R$ 163,1 bi, segundo o FBSP). Por isso, homicídios e letalidade policial refletem sobretudo políticas estaduais. À União cabem a PF, a PRF, o sistema penitenciário federal, a política de armas, os fundos nacionais e a coordenação do SUSP, criado em 2018 no governo Temer (Planalto, Lei 13.675/2018).

Feita essa ressalva, as três bases de dados mostram queda contínua de homicídios desde 2018, com alta pontual em 2020. No FBSP, as mortes violentas caíram 16,7% de 2018 a 2022 e 15,0% de 2022 a 2025. A taxa de 19,1 por 100 mil em 2025 é a menor desde 2012 (FBSP, Anuário 2026). No SIM/DATASUS, base oficial do Ministério da Saúde usada pelo Atlas da Violência, os homicídios foram de 57.956 para 46.409 entre 2018 e 2022 e para 42.590 em 2024 (Atlas da Violência 2025; Ipea). Segundo o próprio Atlas, porém, as mortes por causa indeterminada dispararam em 2024. O Atlas estima 7.083 "homicídios ocultos", o que elevaria o total a 49.673. A queda começou em 2018, antes dos dois governos, e a maior redução anual foi a de 2019 (−17%). A literatura lista várias hipóteses sem chegar a um veredito: envelhecimento da população, gestão policial nos estados, trégua entre as grandes facções e programas estaduais em 11 estados desde 2013 (Atlas 2025). Os dois governos reivindicam a queda, mas nenhuma avaliação independente mede o efeito causal das políticas federais de um ou de outro.

A diferença federal mais nítida está nas armas. Os decretos de 2019–2021 ampliaram limites de posse, munição e acesso para caçadores, atiradores e colecionadores (CACs) (Planalto, Decreto 10.630/2021). O número de CACs foi de cerca de 117 mil em 2018 para 783 mil em 2022 (FBSP, Anuário 2023), e o Exército fiscalizou menos de 3% deles em 2022, segundo o Metrópoles. Em 2023, os Decretos 11.366 e 11.615 restringiram as regras e transferiram a fiscalização dos CACs para a PF, concluída em julho de 2025 depois de dois adiamentos e com verba abaixo do pedido pela PF (Planalto, Decreto 11.615/2023). Os novos registros caíram cerca de 80%, mas o acervo permanece: 1,59 milhão de armas em nome de CACs, segundo a PF ouvida pelo SBT News. Uma estimativa do FBSP sugere que 6.379 vidas teriam sido poupadas em 2019–2021 com a legislação anterior. É um estudo, não um fato observado. A série agregada, com quedas fortes tanto em 2019 quanto em 2023–2025 sob políticas opostas, não comprova nem refuta sozinha o efeito das armas.

Outros indicadores pioraram nos dois períodos. Os estelionatos multiplicaram-se por 4,3 de 2018 a 2022 e cresceram mais 24% até 2025, com 2,26 milhões de casos (FBSP, infográfico 2026). Os feminicídios sobem desde a criação do tipo penal, o que também reflete melhor tipificação. A letalidade policial bateu recorde em 2025, com 6.602 mortes, ano da operação do governo do Rio contra o Comando Vermelho, com 119 mortos segundo o governo estadual. No plano federal, o Lula 3 registrou a primeira fuga do sistema penitenciário federal desde 2006 (Mossoró, fevereiro de 2024, com recaptura em 50 dias) (Migalhas). Também sancionou a Lei Antifacção (Lei 15.358/2026), com dois vetos (Congresso em Foco), e enviou a PEC da Segurança Pública. A PEC foi aprovada na Câmara por 487 a 15 em março de 2026 e na CCJ do Senado em setembro, mas não estava promulgada em 07/10/2026 (Agência Pública). A Operação Carbono Oculto (agosto de 2025) expôs a presença do PCC na cadeia de combustíveis e em fintechs, com R$ 52 bi movimentados em postos, segundo o InfoMoney. No período Bolsonaro, Sergio Moro saiu do Ministério da Justiça em 2020 acusando o presidente de interferir na PF. O inquérito foi arquivado em 2022 e reaberto em outubro de 2025. O ex-diretor da PRF Silvinei Vasques, que comandou as blitze no 2º turno de 2022, e o ex-ministro Anderson Torres foram condenados pelo STF na ação da trama golpista, a 24 anos e 6 meses e a 24 anos, respectivamente (Wikipédia e Diário do Poder).

Pontos a favor e contra

Bolsonaro (2019–2022)

A favor

  • Queda de homicídios de 16,7% a 19,9% no período, com a maior redução anual em 2019.
  • Roubos em queda a partir de 2018 (−51% de 2018 a 2024, segundo o FBSP citado pela imprensa, nos dois governos).
  • Ampliação do acesso legal a armas atendeu a uma demanda de parte do eleitorado.

Contra

  • Explosão do número de CACs com fiscalização mínima (menos de 3%).
  • Alta de mortes em 2020.
  • Estelionato ×4,3.
  • Saída de Moro com acusação de interferência na PF.
  • Uso da PRF no 2º turno de 2022, com condenação posterior do ex-diretor.
  • FNSP menor.

Lula 3 (2023–2026)

A favor

  • Queda de 15% nas mortes violentas até a mínima da série (19,1 por 100 mil).
  • Fiscalização de armas transferida para a PF e novos registros −80%.
  • Repasses do FNSP +80,9%.
  • Recorde de bens apreendidos do crime pela PF.
  • Lei Antifacção e PEC da Segurança encaminhadas.

Contra

  • Letalidade policial recorde em 2025.
  • Fuga de Mossoró.
  • Feminicídios em alta.
  • Estelionato +24%.
  • Migração dos CACs atrasada e subfinanciada.
  • Subnotificação de homicídios em 2024 (Atlas).
  • PEC da Segurança ainda não promulgada.
  • Estoque de armas ainda grande.

Área social

Pobreza oscilou com o Auxílio sob Bolsonaro e caiu à mínima da série sob Lula

Indicadores comparados

Cada linha da tabela abaixo indica o período com melhor resultado naquele indicador. "Sem comparação direta" marca dados que não podem ser comparados (falta de série, métricas diferentes) ou cuja avaliação depende da visão de cada eleitor. As linhas têm o mesmo peso, e o contexto está no texto.

IndicadorMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2026)Fonte
Pobreza (US$ 6,85 PPC/dia)Lula 333,4% (2018) → 31,1% (2020) → 36,8% (2021) → 31,6% (2022)27,3% (2023) → 23,1% (2024), menor desde 2012IBGE, SIS 2025
Extrema pobreza (US$ 2,15 PPC/dia)Lula 37,4% → 6,1% → 9,0% → 5,9%4,4% → 3,5%IBGE, SIS 2025
Índice de Gini (renda domiciliar per capita)Lula 30,545 em 2018 (máximo da série)0,506 (PNAD) / 0,504 (SIS) em 2024 (mínimo da série)IBGE
Insegurança alimentar grave (domicílios)Sem comparação direta4,6% (2017–18, POF); sem medição oficial em 2019–20224,1% (2023) → 3,2% (2024)IBGE
Mapa da Fome (FAO)Lula 3O país voltou ao Mapa no triênio 2018–2020Saiu no triênio 2022–2024 e segue fora em 2023–2025FAO, via imprensa
Transferência de rendaSem comparação diretaAuxílio Emergencial (R$ 294,7 bi, 68,2 milhões de pessoas); Auxílio Brasil com 21,6 milhões de famílias e média de R$ 607 (dez/2022)Bolsa Família com 21,1 milhões (dez/2023) → 18,7 milhões de famílias e média de R$ 691 (dez/2025)Poder360; Ministério da Cidadania; MDS
Fila do programaLula 3Mais de 1,2 milhão de famílias (2019)503.564 famílias (fim de 2025)Imprensa citando os ministérios
BPC (beneficiários)Sem comparação direta+10,0% no mandato+22,3% (jan/2023 a fev/2025)MDS via Poder360
HabitaçãoSem comparação diretaCasa Verde e Amarela: ≈1,6 milhão de unidades "entregues" (inclui contratos anteriores); Faixa 1 com 13% das contratações em 2020MCMV: ≈2,1 milhões de unidades "contratadas" (2023–2025); Faixa 1 com 38,6% em 2025MDR; Ministério das Cidades, via imprensa
Séries anuaisano-baseBolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026parcial ou projeção (*)

Pobreza

% da população abaixo de US$ 6,85 PPC/dia

IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025. Dados de 2025 previstos para dez/2026.
Ver valores
Ano%
201833,4
201932,6
202031,1
202136,8
202231,6
202327,3
202423,1

Extrema pobreza

% da população abaixo de US$ 2,15 PPC/dia

IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025.
Ver valores
Ano%
20187,4
20197,4
20206,1
20219,0
20225,9
20234,4
20243,5

O IBGE mostra pobreza quase estável no período Bolsonaro, com forte oscilação, e queda à mínima da série no Lula 3: 23,1% em 2024, com extrema pobreza de 3,5% (IBGE, SIS 2025). Em 2020, o Auxílio Emergencial, a maior transferência da história, reduziu a pobreza mesmo durante a recessão. O programa custou R$ 294,7 bi (cerca de 4% do PIB) e atendeu 68,2 milhões de pessoas, segundo o Poder360. O TCU estimou R$ 54,7 bi em pagamentos indevidos. A redução do auxílio e a inflação de 2021 levaram a pobreza ao pico de 36,8%. Em 2022, o Auxílio Brasil de R$ 600, viabilizado pela EC 123 em ano eleitoral, e a recuperação do emprego trouxeram a taxa de volta a 31,6%. A queda de 2023–2024 é a maior da série e aparece também no Gini e na razão entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres, que caiu de 17,1 vezes em 2018 para 13,4 vezes em 2024 (IBGE, rendimento de todas as fontes 2024). Sem os benefícios sociais, a pobreza de 2024 seria de 28,7% e a extrema pobreza de 10,0%, o que mostra o peso das transferências. O novo Bolsa Família (Lei 14.601/2023) fixou piso de R$ 600, adicional de R$ 150 por criança pequena e regra de proteção para quem aumenta a renda (Planalto). O número de famílias caiu para 18,7 milhões em 2025, com saídas por aumento de renda e revisões cadastrais. Os dados disponíveis não permitem separar quanto disso é melhora de renda e quanto é exclusão (Exame, com dados do MDS). Na fome, o IBGE não mediu a insegurança alimentar entre 2019 e 2022. A Rede PENSSAN, rede de pesquisadores (fonte não oficial), mediu insegurança alimentar grave em 9,0% dos domicílios em dezembro de 2020 e em 15,5% entre novembro de 2021 e abril de 2022, o equivalente a 33,1 milhões de pessoas (Oxfam/Rede PENSSAN). Ela usa a mesma escala do IBGE, mas com amostras menores e em plena pandemia, por isso a comparação direta com os 4,1% (2023) e 3,2% (2024) do IBGE não é rigorosa. O triênio da FAO que tirou o Brasil do Mapa da Fome (2022–2024) inclui o último ano de Bolsonaro (IBGE, informativo de segurança alimentar 2024). Na habitação, "entregues" (balanço do período Bolsonaro) e "contratadas" (balanço do Lula 3) não são comparáveis diretamente, e as fontes do próprio governo atual divergem sobre o total de 2025.

Pontos a favor e contra

Bolsonaro (2019–2022)

A favor

  • Auxílio Emergencial protegeu 68 milhões de pessoas na pandemia.
  • Auxílio Brasil ampliou a cobertura para 21,6 milhões de famílias e zerou a fila em jan/2022.
  • Extrema pobreza de 5,9% em 2022, abaixo de 2018.
  • Teto de renda do programa habitacional elevado.

Contra

  • Fila de mais de 1,2 milhão de famílias em 2019.
  • Pico de pobreza (36,8%) em 2021.
  • Fraudes estimadas em R$ 54,7 bi no Auxílio Emergencial.
  • Aumento do benefício por emenda constitucional em ano eleitoral, com prazo até dezembro.
  • Faixa 1 praticamente parada.

Lula 3 (2023–2026)

A favor

  • Pobreza, extrema pobreza e Gini nos mínimos da série.
  • Insegurança alimentar grave em queda e país fora do Mapa da Fome.
  • Piso de R$ 600 tornado permanente, com adicionais por criança.
  • Faixa 1 do MCMV retomada.
  • Saídas do Bolsa Família por aumento de renda.

Contra

  • Fila de cerca de 500 mil famílias em 2025.
  • Queda de 2,1 milhões de famílias atendidas em 2025, sem distinção clara entre melhora de renda e exclusão.
  • BPC crescendo 22% com revisões muito abaixo da meta (risco fiscal).
  • Pagamentos ampliados na reta final do 1º turno, segundo uma única fonte jornalística (Bloomberg Línea).

Meio ambiente e política externa

Desmatamento caiu pela metade e a diplomacia mudou de eixo

Indicadores comparados

Cada linha da tabela abaixo indica o período com melhor resultado naquele indicador. "Sem comparação direta" marca dados que não podem ser comparados (falta de série, métricas diferentes) ou cuja avaliação depende da visão de cada eleitor. As linhas têm o mesmo peso, e o contexto está no texto.

IndicadorMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2026)Fonte
Desmatamento na Amazônia (PRODES, km²)Lula 310.129 / 10.851 / 13.038 / 11.594 (média de ≈11.400)9.064 / 6.518 / 5.731 (média de ≈7.100)INPE
Desmatamento no Cerrado (PRODES, km²)Bolsonaro6.319 / 7.905 / 8.531 / 10.689 (média de ≈8.360)11.012 / 8.174 / 7.235 (estimativa) (média de ≈8.810)INPE
Alertas na Amazônia (DETER)Sem comparação direta—2.874 km² em ago/2025–jul/2026, menor da sérieINPE
Focos de calor no BrasilEmpate197.632 / 222.798 / 184.081 / 200.763 (média de ≈201 mil)189.901 / 278.229 (maior desde 2010) / 134.047 (média de ≈201 mil)INPE, via Ipea, MMA e imprensa; 2025 até 23/12
Fundo AmazôniaLula 3Comitês extintos em 2019; doações suspensas por Alemanha e NoruegaReativado em jan/2023, com novos doadoresWikipédia
Terras indígenas homologadasLula 3Nenhuma20 de 2023 a nov/2025 (8 em 2023, 5 em 2024, 7 em 2025)Agência Gov; Ministério dos Povos Indígenas
Acordo Mercosul–UELula 3Fechado "em princípio" (jun/2019), depois travadoAssinado em 17/01/2026; aplicação provisória desde 01/05/2026Comissão Europeia
Séries anuaisano-baseBolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026parcial ou projeção (*)

Desmatamento na Amazônia

km² por ano PRODES (agosto a julho)

INPE, PRODES. O ano 2023 inclui 5 meses do governo Bolsonaro; 2019, 5 meses do governo Temer.
Ver valores
Anokm²
20187536
201910129
202010851
202113038
202211594
20239064
20246518
20255731

Desmatamento no Cerrado

km² por ano PRODES (agosto a julho)

* 2025: estimativa; taxa consolidada não confirmada. INPE, PRODES Cerrado. Parte do desmatamento no bioma é legal pelo Código Florestal.
Ver valores
Anokm²
20187260
20196319
20207905
20218531
202210689
202311012
20248174
20257235 *

O desmatamento na Amazônia subiu 54% entre 2018 e 2022 e caiu 51% entre 2022 e 2025. A taxa consolidada de 2025, de 5.731 km², é a terceira menor desde 1988, atrás de 2012 e 2014, segundo o Olhar Digital (INPE, 18/08/2026; INPE/MMA, PRODES 2024/2025). O "ano PRODES" vai de agosto a julho: o de 2019 inclui cinco meses do governo Temer e o de 2023, cinco meses do governo Bolsonaro. No Cerrado, a média anual de 2023–2025 é 5% maior que a de 2019–2022, por causa do pico de 2023. Boa parte do desmatamento nesse bioma é legal pelo Código Florestal. Os alertas do DETER chegaram à mínima da série em agosto de 2025–julho de 2026 (INPE, 07/08/2026). Em 2019–2021, a fiscalização enfraqueceu: estudo da UFMG mostra queda de 97% nas multas pagas em 2020 em relação a 2012–2018 (CSR/UFMG). Em reunião ministerial de 2020, o então ministro Ricardo Salles defendeu "passar a boiada" de mudanças infralegais. Contra o Lula 3 pesam o recorde de focos de calor em 2024, associado à pior seca em décadas e ao El Niño, e a licença do Ibama para a Petrobras perfurar na Foz do Amazonas (outubro de 2025), contestada judicialmente por oito organizações. Pesa também a Lei Geral do Licenciamento: o Congresso derrubou 52 itens de veto, contra a orientação do governo (Agência Senado). A COP30, em Belém, terminou sem um roteiro vinculante de saída dos combustíveis fósseis. O governo Bolsonaro não homologou nenhuma terra indígena. O Lula 3 homologou 20 de 2023 a novembro de 2025 (Agência Gov), abaixo do prometido, e o Congresso aprovou o marco temporal (Lei 14.701/2023) derrubando vetos do governo.

Na política externa, o governo Bolsonaro alinhou-se aos EUA de Trump, com isenção de vistos e status de aliado extra-OTAN, pediu adesão à OCDE e fechou o acordo Mercosul–UE "em princípio" em 2019. Também deixou a Unasul e a CELAC e entrou em choque com a França por causa da Amazônia, o que travou o acordo com a UE (Wikipedia, Presidency of Jair Bolsonaro). O Lula 3 presidiu o G20 (2024) e o BRICS (2025), sediou a COP30 e concluiu o acordo com a UE, que está em aplicação provisória desde maio de 2026 (Comissão Europeia, DG Trade). Recusou-se a enviar armas à Ucrânia, rompeu com Israel por Gaza e teve uma relação conflituosa com o governo Trump em 2025. As tarifas e sanções americanas daquele ano foram justificadas pelos EUA com o processo contra Jair Bolsonaro, segundo o texto da própria ordem executiva (Federal Register, EO 14323).

Pontos a favor e contra

Bolsonaro (2019–2022)

A favor

  • Compromissos de neutralidade de carbono até 2050 e de fim do desmatamento ilegal até 2030 (COP26).
  • Acordo Mercosul–UE fechado em princípio.
  • Proximidade com os EUA, isenção de vistos e candidatura à OCDE.
  • Pragmatismo com a China após 2019.

Contra

  • Desmatamento +54%, pico de 13.038 km² em 2021.
  • Desmonte da fiscalização ("passar a boiada").
  • Fundo Amazônia congelado.
  • Nenhuma terra indígena homologada.
  • Crise Yanomami herdada.
  • Isolamento ambiental, choque com a França e saída da CELAC.

Lula 3 (2023–2026)

A favor

  • Desmatamento na Amazônia reduzido à metade e alertas na mínima da série.
  • Fundo Amazônia reativado.
  • Fiscalização do Ibama ampliada.
  • Homologações de terras indígenas retomadas.
  • Acordo com a UE assinado e em vigor provisório.
  • G20, BRICS e COP30 sediados.
  • Acordo Mercosul–EFTA em vigor.

Contra

  • Cerrado com pico em 2023.
  • Recorde de queimadas em 2024.
  • Perfuração na Foz do Amazonas.
  • COP30 sem roteiro vinculante sobre fósseis.
  • Posições sobre a Ucrânia vistas como próximas da Rússia.
  • Ruptura com Israel.
  • Atritos com os EUA, com tarifas e sanções em 2025.

Corrupção, integridade e instituições

Escândalos nos dois governos, quase nenhum com sentença

Nesta área os indicadores oficiais são escassos e boa parte dos fatos de 2025–2026 se apoia em reportagens. O texto usa os termos jurídicos com precisão. Investigado é quem é alvo de inquérito. Indiciado é quem a polícia aponta ao concluir o inquérito, o que ainda não é acusação formal. Denunciado é quem foi formalmente acusado pelo Ministério Público. Réu é o denunciado cuja denúncia o tribunal recebeu. Condenado é quem recebeu sentença, e a condenação se torna definitiva com o trânsito em julgado. Arquivado é o caso encerrado sem acusação. Anulado é o caso invalidado por vício processual, o que não equivale a absolvição.

Indicadores comparados

Cada linha da tabela abaixo indica o período com melhor resultado naquele indicador. "Sem comparação direta" marca dados que não podem ser comparados (falta de série, métricas diferentes) ou cuja avaliação depende da visão de cada eleitor. As linhas têm o mesmo peso, e o contexto está no texto.

IndicadorMelhor resultadoBolsonaro (2019–2022)Lula 3 (2023–2025)Fonte
Índice de Percepção da Corrupção (nota)Bolsonaro35 / 38 / 38 / 38 (média de 37,3, cálculo próprio)36 / 34 (pior da série) / 35 (média de 35,0, cálculo próprio)Transparência Internacional (ONG; mede percepção)
Posição no IPCBolsonaro96º (2022)104º (2023); 107º (2024 e 2025)Transparência Internacional, via imprensa
Operações especiais CGU–PFBolsonaro59 / 96 / 64 / 46 (média de 66 por ano)37 / 52 / 76 (média de 55 por ano)CGU
Processos contra empresas (PAR)Sem comparação diretaSérie não obtida79 (2024); 117 (2025), recordeCGU
Prejuízos apurados pela CGUSem comparação diretaPatamar de R$ 0,2–0,6 bi por ano (2016–2024, segundo a CGU)Mesmo patamar em 2023–2024; R$ 13,6 bi em 2025, recordeCGU
Procurador-Geral da RepúblicaEmpateAugusto Aras, de fora da lista tríplicePaulo Gonet, também de fora da lista trípliceImprensa (Gazeta do Povo)
Sigilo de 100 anos (art. 31 da LAI)EmpateAplicado em casos de grande visibilidade (cartão de vacina, visitas ao Planalto)Revisão de 234 casos em 2023 e regras de justificativa em 2024, mas novos sigilos (cartões de vacina de ministros em 2025)Imprensa
Emendas sem transparênciaEmpateRP9 ("orçamento secreto", 2020–2022), declarado inconstitucional pelo STFOpacidade migrou para "emendas Pix" e emendas de comissão; controle veio do STF e do TCUSTF/TCU via imprensa
Séries anuaisano-baseBolsonaro 2019–2022Lula 3 2023–2026parcial ou projeção (*)

Índice de Percepção da Corrupção

Nota de 0 a 100; maior = menos corrupção percebida

Transparência Internacional (ONG). Mede percepção; variações de ±1 ponto não são significativas.
Ver valores
Anopontos
201835
201935
202038
202138
202238
202336
202434
202535

O IPC da Transparência Internacional mede a percepção de especialistas e empresários, não a corrupção efetiva, e variações de ±1 ponto não são estatisticamente significativas. A média do período Bolsonaro (≈37) e a do Lula 3 (35) são próximas, e o Brasil está abaixo da média global nos dois (Exame, 10/02/2026; TI Brasil). Em 2020 a TI apontou "deterioração progressiva" do arcabouço anticorrupção. Em 2026, a TI Brasil reconheceu avanços do governo Lula em inteligência financeira contra lavagem e o criticou pela "captura" de agências reguladoras e pela barganha via emendas, segundo o InfoMoney. Pela tabela da própria CGU, as operações especiais com a PF foram mais numerosas no período Bolsonaro (média de 66 por ano, com 96 em 2020) do que no Lula 3 (55 por ano) (CGU, operações especiais). O relatório de 2025 chama as 76 operações daquele ano de recorde, mas o recorde claro de 2025 é o prejuízo apurado, de R$ 13,6 bi, puxado pelo caso INSS (CGU, RG 2025). Esses números indicam intensidade de apuração, não um nível maior ou menor de corrupção.

Casos associados ao período Bolsonaro e ao seu grupo, com situação jurídica

CasoSituação em out/2026
Trama golpista e 8 de janeiro (AP 2668, STF)Jair Bolsonaro condenado em definitivo (trânsito em julgado em 25/11/2025) a 27 anos e 3 meses por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e dano. Em prisão domiciliar humanitária em Brasília desde 27/03/2026, mantida por decisão de 03/07/2026. Não é caso de corrupção.
Joias sauditasIndiciado pela PF (jul/2024). A PGR pediu arquivamento (mar/2026). Moraes devolveu os autos à PGR, e a decisão está pendente
Cartão de vacina falsificadoIndiciado (mar/2024) e arquivado pelo STF a pedido da PGR (mar/2025)
Covaxin (prevaricação)Arquivado (abr/2022)
Abin paralelaRamagem e Carlos Bolsonaro indiciados (jun/2025), entre 36 pessoas; a PGR não decidiu em um ano. As fontes conflitam sobre a situação de Jair Bolsonaro neste inquérito
Interferência na PF (acusação de Moro)Arquivado em 2022 e reaberto em 16/10/2025; investigação em curso
"Gabinete paralelo" de pastores no MECMilton Ribeiro preso e solto em jun/2022; segue investigado, sem denúncia; em ago/2024 o MPF pediu a retomada do inquérito, que estava parado
Ricardo Salles (exportação ilegal de madeira)Réu; o processo subiu ao STF em ago/2025 (AP 2705), a instrução terminou em dez/2025 e não havia julgamento até out/2026
Kits de robótica do FNDE em Alagoas (Operação Hefesto, 2023)Fatos de 2019–2022 investigados pela PF e pela CGU; sem denúncia localizada
Orçamento secreto (RP9)Mecanismo declarado inconstitucional pelo STF (dez/2022); não é processo penal

A condenação de Jair Bolsonaro é a única definitiva da lista. Ela trata de crimes contra o Estado Democrático, não de corrupção (Wikipedia, Trial of Jair Bolsonaro; Congresso em Foco). Nos casos de natureza patrimonial não há condenação: dois foram arquivados e o das joias está pendente, com parecer da PGR pelo arquivamento (Poder360; O Povo). Sob Aras, a PGR pediu arquivamentos de investigações contra o presidente em exercício (Congresso em Foco). A defesa de Bolsonaro nega crimes e alega perseguição. Sobre a compra de imóveis em dinheiro vivo pela família Bolsonaro, noticiada em 2022, o ministro André Mendonça (STF) negou em 2022 e em 2023 pedidos de investigação, por falta de justa causa; não há investigação formal (Poder360).

Casos associados ao período Lula 3, com situação jurídica

CasoSituação em out/2026
Descontos indevidos em aposentadorias do INSS (Operação Sem Desconto)48 indiciados pela PF, entre eles Alessandro Stefanutto (presidente do INSS sob Lula, preso preventivamente) e José Carlos Oliveira (ministro do Trabalho e Previdência de Bolsonaro). Outros 6 indiciados em ago/2026. Até 07/10/2026, a PGR não havia apresentado denúncia
Carlos Lupi (ministro da Previdência)Deixou o cargo em 02/05/2025. Não foi indiciado nem denunciado; a PGR arquivou um pedido de investigação em jul/2025, e ele foi citado em delações ainda não homologadas (jun/2026)
Juscelino Filho (ministro das Comunicações)Indiciado (jun/2024) e denunciado pela PGR (abr/2025) por suposto desvio de emendas; renunciou no mesmo dia. Até out/2026 não há registro de que o STF tenha recebido a denúncia; em mai/2025 o relator suspendeu o prazo da defesa
Fábio Luís Lula da Silva (filho do presidente)Investigado em inquéritos autorizados por ministros do STF em jul–ago/2026; sem indiciamento nem denúncia; a defesa nega e fala em vazamentos com motivação eleitoral
Banco Master (liquidado em nov/2025)Daniel Vorcaro preso. Ciro Nogueira (PP, ex-ministro de Bolsonaro) foi alvo de operação (mai/2026). Integrantes e aliados do governo, como Lewandowski, Mantega e Jaques Wagner, aparecem citados em reportagens, sem acusação formal confirmada
Emendas Pix (2020–2024)O STF (Dino) mandou a PF investigar parlamentares de vários partidos, inclusive do PT e do PL, como o candidato a vice de Flávio. Situação: investigados
Pé-de-Meia fora do orçamentoQuestão fiscal e de conformidade apontada pelo TCU, não processo penal. Em 2026 o TCU também apontou pagamentos a 2.712 CPFs de pessoas mortas; o MEC diz que as falhas somam cerca de 0,05% dos alunos
Operação Coffee Break (PF e CGU, 2025–2026)Apura fraude em compras de material didático em prefeituras paulistas (2021–2024). A ex-nora do presidente é investigada, suspeita de atuar para liberar verbas do FNDE; sem denúncia. Nenhum dirigente do MEC ou do FNDE figura entre os alvos

Pelos dados da CGU reproduzidos pela imprensa, os descontos associativos em benefícios do INSS somaram R$ 2,36 bi em 2019–2022 e cerca de R$ 4,0 bi em 2023–2024, ou 62,5% do valor no governo atual. O esquema começou antes de 2023 e acelerou fortemente depois. Nem todos os descontos eram fraudulentos, mas cerca de 90% dos pedidos de cancelamento alegavam falta de autorização (O Povo). Os indiciados incluem gestores dos dois governos, segundo o Correio Braziliense, e a responsabilidade individual ainda depende de denúncia e julgamento. A CGU abriu 40 processos contra entidades, e a AGU bloqueou mais de R$ 4 bi. Juscelino Filho foi o primeiro ministro do Lula 3 denunciado pela PGR (Congresso em Foco). Lula o havia mantido no cargo após o indiciamento. No caso Master, os nomes citados atravessam governo, oposição e STF. A maior parte das ligações com o governo vem de reportagens e de verbetes da Wikipédia em fonte única, não de acusações formais. Por isso esses nomes estão como "citados".

Os candidatos: dois casos encerrados por vício processual

As condenações de Lula na Lava Jato (triplex) foram anuladas em 2021: o STF reconheceu a incompetência da Justiça Federal de Curitiba e a parcialidade de Sergio Moro. Não houve absolvição de mérito (Wikipedia, Lula). A ação da "rachadinha" contra Flávio Bolsonaro teve provas anuladas pelo STJ em 2021 e a denúncia arquivada pelo TJRJ em 2022. O STF negou a reabertura em 2025, e também não houve absolvição de mérito (Poder360). Os dois casos têm estrutura jurídica comparável, e dizer que um ou outro foi "absolvido" ou "condenado" é impreciso. Flávio é hoje investigado em inquérito no STF sobre a relação com Daniel Vorcaro (Banco Master). O Intercept noticiou que ele negociou cerca de R$ 134 mi para um filme sobre o pai. Ele admite ter buscado patrocínio privado e nega irregularidades. Não há denúncia. A abertura do inquérito em julho de 2026 consta de fontes secundárias (Wikipedia, Flávio Bolsonaro).

As comissões parlamentares dos dois períodos produziram listas amplas de indiciamentos com recorte partidário e efeito jurídico limitado. A CPI da Covid (2021) pediu 80 indiciamentos. A CPMI do INSS (2025–2026) terminou sem relatório aprovado: o da oposição, com 216 nomes, foi rejeitado, e o governista, com 131, inclusive Jair e Flávio Bolsonaro, não foi votado (Movimento Econômico). Comissões parlamentares não acusam nem condenam.

Pontos a favor e contra

Bolsonaro (2019–2022)

A favor

  • Nota do IPC levemente maior (38 em 2020–2022).
  • Mais operações especiais CGU–PF por ano (média de 66 contra 55).
  • Nos casos patrimoniais, nenhuma condenação: dois arquivados e um pendente com parecer pelo arquivamento.
  • A PF concluiu em 2022 que não houve interferência no caso Moro (decisão revista em 2025).

Contra

  • Condenação definitiva por tentativa de golpe (não é corrupção), além de condenações de ex-ministro e ex-diretor da PRF.
  • Orçamento secreto.
  • PGR alinhada, com arquivamentos.
  • Sigilos de 100 anos.
  • Abin paralela.
  • Joias pendentes.
  • Saída de Moro com acusação de interferência na PF.

Lula 3 (2023–2026)

A favor

  • Recorde de processos contra empresas e de prejuízo apurado pela CGU em 2025.
  • Revisão dos sigilos de 100 anos e regras de justificativa.
  • Avanços em inteligência financeira reconhecidos pela TI.
  • Afastou os ministros envolvidos (Lupi, Juscelino).
  • PGR denunciou e reabriu casos de grande repercussão.

Contra

  • Pior nota do IPC (34 em 2024).
  • Fraude no INSS acelerou em 2023–2024, com o presidente do INSS nomeado pelo governo preso.
  • Ministro denunciado.
  • Filho do presidente investigado.
  • Caso Master com aliados citados.
  • Novos sigilos com o mesmo fundamento usado antes.
  • PGR também escolhido fora da lista tríplice.
  • Menos operações especiais CGU–PF por ano.
  • "Emendas Pix" sem controle efetivo do Executivo.

Os candidatos do 2º turno e seus planos

Um presidente de 80 anos e um senador que nunca governou

Resultado do 1º turno e quem são os candidatos

Pelo TSE, Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos e Lula (PT), 45,16%, com 99,99% das urnas apuradas (TSE, 05/10/2026). Os vices são Alfredo Gaspar (PL-AL), ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e relator da CPMI do INSS, e Geraldo Alckmin (PSB). Para o 2º turno, Caiado, Zema, PP e União Brasil declararam apoio a Flávio, e o PSD ficou neutro, segundo a imprensa até 06–07/10. As últimas pesquisas antes do 1º turno mostravam empate técnico no 2º turno (Datafolha de 03/10: Lula 47% x Flávio 46%), mas subestimaram Flávio em cerca de 5 pontos no 1º turno. Por isso essas pesquisas devem ser lidas com cautela. Até 07/10, nenhuma pesquisa de 2º turno feita depois do 1º turno havia divulgado números; Datafolha e PoderData registraram levantamentos com divulgação prevista para 08/10 (Brasil de Fato, 06/10/2026).

DimensãoLula (PT)Flávio Bolsonaro (PL)
Idade80 anos no dia do 2º turno (nasceu em 27/10/1945, em Caetés, à época distrito de Garanhuns-PE)45 anos no dia do 2º turno (nasceu em 30/04/1981, em Resende-RJ)
Experiência executivaPresidente em 2003–2010 e desde 2023Nenhuma. Deputado estadual no RJ (2003–2019) e senador desde 2019, com mandato até 2027. Não ocupou ministério no governo do pai
Situação jurídicaCondenações da Lava Jato anuladas (2021), sem absolvição de mérito; elegívelRachadinha arquivada (2022), sem condenação nem absolvição de mérito; investigado no caso Master, sem denúncia
Votos e posições relevantesAutor das políticas avaliadas neste relatório (2023–2026)Votou contra o arcabouço fiscal (aprovado por 57 a 17 em 21/06/2023). Votou contra a reforma tributária (EC 132) e sua regulamentação (PLP 108). Votou a favor da isenção do IR até R$ 5 mil, com ressalvas ao texto. Defende anistia aos condenados do 8 de janeiro, incluindo o pai
Como virou candidatoCandidato à reeleiçãoIndicado após a inelegibilidade (TSE, 2023) e a condenação (STF, 2025) do pai; anunciou a candidatura em 05/12/2025

A trajetória e os votos de Flávio vêm do perfil oficial no Senado, de pronunciamento de 08/11/2023 e da Agência Lupa, que classificou como falsa a alegação de que ele prometeu revogar a isenção do IR. No arcabouço fiscal, o registro nominal do Senado mostra voto contrário de Flávio (Senado, votação do PLP 93/2023). A PEC da Segurança foi aprovada na CCJ do Senado em votação simbólica em 02/09/2026 e ainda não foi votada no plenário, por isso não há voto nominal dele. O Senado não publica índice oficial de presença dos senadores. Sobre a saúde de Lula, os boletins do Hospital Sírio-Libanês registram cirurgia de emergência em 10/12/2024 para drenar uma hemorragia intracraniana causada por queda em outubro, com alta em 15/12/2024. Exames de controle em 2025 e 2026 tiveram resultado normal, e em abril de 2026 ele retirou uma pequena lesão do couro cabeludo, sem intercorrências (Hospital Sírio-Libanês, boletim de 24/04/2026). Sobre o vice Alfredo Gaspar, um veículo de linha editorial de esquerda noticiou pedido da PF ao STF para abrir inquérito sobre acusação grave. Não havia inquérito formalmente aberto nem denúncia, e Gaspar nega. A informação depende de uma única fonte, e a checagem equivalente sobre Alckmin não foi feita. Por isso nenhuma das duas entra na comparação.

Planos registrados no TSE

Lula registrou as "Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil", com 13 eixos, em 08/08/2026 (PDF do plano de Lula). Flávio registrou "Para o Brasil Vencer o Atraso", com 9 eixos, em 13/08/2026 (PDF do plano de Flávio). Os PDFs usados são os hospedados pelo Poder360 e pelo Congresso em Foco. A versão final no sistema do TSE não foi baixada.

TemaLula (plano)Flávio (plano)
Servidores, concursos e reajustesAprofundar a valorização pela Mesa Nacional de Negociação Permanente. Manter e aprimorar as cotas em concursos. Compartilhar estruturas de gestão entre ministérios. Sem número de vagas, calendário de concursos ou percentual de reajuste. Fora do plano, o MGI fala em CNU periódico"Reforma Administrativa", com promessa de enxugar a máquina e profissionalizar a gestão. Corte de pelo menos 10 ministérios, redução de cargos comissionados, combate a "penduricalhos" e supersalários, modernização de carreiras e 100% dos serviços digitalizados. Crítica à participação sindical na formulação de políticas. Sem número de vagas, calendário de concursos ou reajuste. Nenhum dos dois planos detalha a estabilidade
Regra fiscal e impostos"Manteremos o novo arcabouço fiscal". Tributação progressiva (isenção do IR até R$ 5 mil, imposto mínimo sobre altas rendas). Manter a reforma tributária. Críticos citados pela imprensa apontam a falta de uma agenda de corte de despesas"Grande tesouraço" de cortes, busca de superávits e queda da dívida, sem valor numérico no plano. O valor de R$ 190 bi (1,5% do PIB) foi citado pela coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, em entrevista à GloboNews em 03/08/2026, segundo a imprensa. Revisar a reforma tributária para reduzir o IVA. Reduzir impostos sobre energia e combustíveis e o IOF. Meta de crescimento de 4% ao ano
SegurançaPEC da Segurança e Ministério da Segurança Pública. Lei Antifacção e "asfixia financeira" das facções. Manter o controle de armas. Plano Pena JustaPCC, CV e milícias classificados como "narcoterroristas". Maioridade penal aos 16 anos. 500 mil vagas prisionais e 5 presídios federais. Fim da progressão de pena para crimes graves. Castração química. Mais de 1 milhão de câmeras de reconhecimento facial. O plano não trata de armas nem da PEC
SaúdeFortalecer o SUS, reduzir filas, ampliar a atenção especializada, manter o Mais Médicos, prontuário unificado e telemedicina, produção nacional de vacinas e medicamentosProntuário único vinculado ao CPF, "correção efetiva da tabela SUS", contratação da capacidade ociosa privada, IA para gestão de filas, telessaúde e saúde mental
Educação80% das crianças alfabetizadas na idade certa, tempo integral, manutenção do Pé-de-Meia, creches e institutos federaisMétodo fônico, ampliação das escolas cívico-militares, "Escola sem doutrinação", vouchers onde faltar vaga pública e ensino superior sob a área de Ciência e Tecnologia
Programas sociaisBolsa Família, valorização real do salário mínimo e Política Nacional de CuidadosPromete manter e aperfeiçoar os programas sociais, sem detalhar o Bolsa Família. Proibir o uso de benefícios em apostas. Retomar o Casa Verde e Amarela (2,5 milhões de moradias)
EstataisPetrobras central na política energética. Abandona promessas de 2022, como reverter a privatização da Eletrobras"Programa Nacional de Desestatização" sem nomear empresas. Petrobras, Correios, Caixa e BB não aparecem como alvos
Meio ambienteDesmatamento líquido zero até 2030Desmatamento ilegal zero até 2029. Na campanha, Flávio falou em acabar com "amarras ambientais"
InstituiçõesReforma política e regulação das redes sociaisLimitar o STF e as decisões monocráticas, fim da reeleição. O plano não menciona anistia, mas na campanha Flávio promete anistiar os condenados do 8 de janeiro e Jair Bolsonaro e defende o impeachment de Alexandre de Moraes

Fontes da tabela: os dois PDFs citados acima; Congresso em Foco sobre o plano de Lula; Congresso em Foco sobre o plano de Flávio; Folha Dirigida/QConcursos sobre servidores; Estado de Minas sobre as falas de campanha.

Os dois planos são vagos justamente onde mais interessa ao servidor: nenhum quantifica concursos ou reajustes. A diferença está na ênfase. Lula propõe negociação permanente, cotas e concursos periódicos, dentro de um arcabouço que permite crescimento real do gasto de 0,6% a 2,5% ao ano. Flávio propõe enxugamento, corte de ministérios e cargos, reforma administrativa e menor papel dos sindicatos, combinados com corte de gastos sem valor definido. Para o servidor estadual, também pesa a posição de cada um sobre o Propag e sobre normas federais de despesa com pessoal. Nenhum dos dois planos trata desses temas nas fontes consultadas.

O que pesa para cada perfil de eleitor

Prioridades diferentes apontam para lados diferentes

Este guia não indica voto. Ele apenas organiza as evidências deste relatório segundo prioridades possíveis. Cada linha mostra o que os dados dizem para os dois lados.

Se a sua prioridade é…Os dados de 2019–2022 (grupo de Flávio) mostram…Os dados de 2023–2026 (Lula) mostram…O que os planos acrescentam
Salário e carreira do servidorQuatro anos sem reajuste linear (≈ −21% real na tabela geral). A LC 173 congelou adicionais nos estados. Mínimo de nomeações em 2021. PEC 32 propunha restringir a estabilidadeReajustes de 9% + 9% + 5%, recomposição real de ≈3,9% até 2025 (ainda ≈18% abaixo de 2018), CNUs, mesa de negociação e greves em 2024Nenhum plano quantifica reajuste ou concurso. Flávio propõe reforma administrativa e corte de cargos. Lula propõe negociação permanente
Equilíbrio fiscal e dívidaDívida bruta em queda (−3,6 p.p.) e superávit em 2022, com ajuda da inflação, de receitas extraordinárias e do adiamento de precatórios. Teto contornado várias vezesDívida bruta em alta (+11,2 p.p. até ago/2026), juros de ≈8% do PIB, metas cumpridas só com deduções, alertas do TCUFlávio promete "tesouraço" e superávit, sem números. Lula mantém o arcabouço
Emprego e rendaRecuperação do emprego em 2021–2022, mas renda real −1,0% e mínimo sem ganho realDesemprego e informalidade mínimos, renda +12,8%, mínimo com ≈ +11% real, mas desaceleração em 2026Lula: fim da escala 6x1 (segundo a imprensa) e valorização do mínimo. Flávio: contratos especiais para jovens e maiores de 50 anos
Inflação e custo de vidaMédia de 6,15% ao ano, com pico de 10,06% (2021) em meio a choques globaisMédia de 4,57% ao ano, sempre acima do centro da meta, com estouro projetado para 2026Flávio: cortar impostos sobre energia, combustíveis e IOF. Lula: tributação progressiva
Segurança e armasHomicídios em queda (−16,7%) com ampliação forte do acesso a armas e fiscalização mínimaHomicídios em queda (−15,0%) com restrição de armas e fiscalização pela PF. Letalidade policial recorde (estadual)Flávio: endurecimento penal amplo, maioridade aos 16 anos, sem menção a armas. Lula: PEC da Segurança e controle de armas
Saúde e SUSPandemia com 4 ministros e atraso nas vacinas, mas boa cobertura vacinal contra covid. Coberturas infantis no ponto mais baixo. Corte proposto no Farmácia PopularPiso de 15% restaurado, coberturas vacinais recuperadas, Mais Médicos dobrado, dengue recorde em 2024Os dois planos propõem prontuário único e telessaúde. Flávio aposta na capacidade privada e Lula na atenção especializada pública
EducaçãoFundeb permanente sancionado após resistência inicial, discricionárias no ponto mais baixo, crise do Inep e do EnemIdeb recorde, alfabetização em alta, Pé-de-Meia (com questionamento fiscal do TCU), universidades com nova perda em 2024–2025Flávio: escolas cívico-militares e vouchers. Lula: tempo integral e Pé-de-Meia
Programas sociais e pobrezaAuxílio Emergencial na pandemia e Auxílio Brasil de R$ 600 em ano eleitoral. Pobreza com pico em 2021Pobreza e Gini nos mínimos da série, país fora do Mapa da Fome, menos famílias no Bolsa Família em 2025Os dois prometem manter os programas. Flávio não detalha o Bolsa Família
Meio ambiente e agroDesmatamento +54%, fiscalização enfraquecida, nenhuma terra indígena homologadaDesmatamento −51% na Amazônia, Cerrado com pico em 2023, recorde de queimadas em 2024, perfuração na Foz do AmazonasFlávio: desmatamento ilegal zero até 2029 e falas contra "amarras ambientais". Lula: desmatamento líquido zero até 2030
Integridade e instituiçõesCondenação definitiva por tentativa de golpe (não por corrupção), orçamento secreto, PGR alinhada, casos patrimoniais arquivados ou pendentesFraude no INSS acelerou em 2023–2024, ministro denunciado, filho do presidente investigado, IPC no pior nível da série, CGU com recordes de apuraçãoFlávio: limitar o STF e anistiar os condenados do 8 de janeiro (na campanha). Lula: reforma política e regulação das redes
Política externa e comércioAlinhamento com os EUA, acordo com a UE em princípio, isolamento ambientalAcordo com a UE em vigor provisório, G20, BRICS e COP30, atritos com os EUA e IsraelFlávio: OCDE e realinhamento com EUA, Argentina e Israel. Lula: multilateralismo e "Sul Global"

Duas ressalvas valem para todas as linhas. Primeiro, Flávio Bolsonaro não governou. O registro de 2019–2022 indica a orientação do grupo político, não a gestão dele, e o plano dele difere em vários pontos do que o pai fez, por exemplo ao não propor ampliar o acesso a armas. Segundo, um eventual quarto mandato de Lula parte de outro ponto: dívida maior, inflação acima da meta, Selic ainda alta e um arcabouço sob pressão crescente das deduções.

Lacunas e divergências de fontes

Divergências entre fontes oficiais. O Governo Central difere conforme a metodologia: o Tesouro mede o resultado "acima da linha" e o BCB "abaixo da linha" (em 2023, −R$ 230,5 bi contra −R$ 264,5 bi). O resultado de 2022 foi revisto de +R$ 54,1 bi para +R$ 46,4 bi sem explicação localizada. O Tesouro informa −0,85% do PIB para 2023–2025, e o cálculo próprio dá −0,95%; a diferença não foi reproduzida. Os boletins do Tesouro divergem sobre o custo do Auxílio Emergencial em 2020 (R$ 293,1 bi x R$ 334,1 bi) e sobre o investimento de 2025 (R$ 83,4 bi x R$ 84,3 bi). O piso da saúde de 2023 é de R$ 172,64 bi para o TCU e de R$ 185,06 bi para a Câmara. O gasto do MEC em 2018 diverge entre o Portal da Transparência e o Ipea. O orçamento do Farmácia Popular em 2025 aparece como R$ 4,2 bi ou R$ 6 bi em fontes do próprio governo. Os totais do MCMV também divergem entre as fontes oficiais reproduzidas pela imprensa. O FBSP revisa as mortes violentas a cada edição (2024: 44.127 x 44.220). O número de CACs ativos em 2025 (1,02 milhão, pela PF) supera o de 2022 (783 mil, pelo FBSP), o que pode refletir diferença de contagem.

Dados que dependem só de jornalismo ou de fonte secundária. As nomeações anuais do Painel Estatístico de Pessoal e o saldo de pessoal do MGI vieram de reportagens, porque o painel oficial não abriu. A série nacional do Ideb também é reprodução jornalística de material do Inep. As notas e perspectivas de rating vêm de Trading Economics e Wikipédia, que se contradizem. Os pagamentos de precatórios de 2023 (R$ 92,4 bi) são valor de imprensa. Os fatos de 2026 do caso Master e o afastamento do diretor da PF vêm, na maior parte, de fonte única (Wikipédia). O mesmo vale para o efeito da Lei da Dosimetria sobre a pena de Bolsonaro e para a condenação de Eduardo Bolsonaro. A abertura do inquérito sobre Flávio no caso Master foi relatada por veículos secundários. O valor de R$ 190 bi do "tesouraço" não aparece no plano.

Itens ainda não verificados. O MGI não publicou isoladamente o número de ingressos de servidores federais em 2025 nem o total de posses do CNU 1, e a série oficial do Painel Estatístico de Pessoal de 2018 a 2022 não pôde ser extraída. A página do plano de Lula que trata do fim da escala 6x1 não foi localizada no PDF; a proposta é relatada pela imprensa. A assinatura do aditivo do Espírito Santo ao Propag não foi confirmada. A decisão de 03/07/2026 sobre a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro é descrita por uns como sem prazo e por outros como prorrogação de 90 dias. As primeiras pesquisas de 2º turno feitas depois do 1º turno saem a partir de 08/10/2026 e não estão neste relatório.

Limites de atribuição. Nenhuma avaliação independente mede o efeito causal das políticas federais sobre homicídios, aprendizagem ou desmatamento no Cerrado. Os dados da FAO são trienais e misturam governos. As séries de 2020–2021 carregam o choque da pandemia, e as de 2023–2024 carregam a recuperação e o El Niño.

Fontes

Fontes oficiais (governo federal, Banco Central, TCU, Congresso, INPE, TSE e organismos internacionais)

Fontes não governamentais (usadas como referência e identificadas no texto)

Análise e desenvolvimento: Iran Milanez Caetano · Para mais análises como esta e outros serviços em Tecnologia da Informação, entre em contato: iranmilanezcaetano@gmail.com